A Google confirmou que nunca recebeu qualquer exigência do governo britânico para criar uma porta de acesso secreto aos dados encriptados dos seus utilizadores. A informação foi transmitida ao TechCrunch após a empresa ter recusado responder diretamente às questões de um senador norte-americano.
Pressão sobre as tecnológicas
O tema ganhou relevância depois de o Home Office ter procurado, numa ordem judicial secreta, obrigar a Apple a permitir que as autoridades britânicas acedessem a cópias de segurança encriptadas de iPhones e iPads em todo o mundo. Sob a legislação do Reino Unido, as empresas abrangidas por este tipo de ordens não podem revelar a sua existência. A Apple recorreu da decisão, enquanto críticos alertaram para o impacto global na privacidade dos utilizadores.
No Congresso dos Estados Unidos, o senador Ron Wyden enviou uma carta à responsável pelos serviços de inteligência, Tulsi Gabbard, pedindo clareza sobre os riscos de segurança nacional associados às leis de vigilância britânicas e às eventuais exigências dirigidas a empresas norte-americanas.
Google e Meta negam ordens de acesso
Apesar do silêncio inicial perante Wyden, a Google esclareceu que «nunca construiu qualquer mecanismo ou backdoor» que contorne a encriptação de ponta a ponta e afirmou não ter recebido um technical capabilities notice, instrumento jurídico usado pelo Reino Unido para forçar o acesso a dados.
A Meta, responsável pelo WhatsApp e Facebook Messenger, comunicou ao gabinete do senador em 17 de março que também não foi alvo de qualquer pedido para comprometer a encriptação das suas plataformas.
O debate mantém-se enquanto legisladores dos dois lados do Atlântico ponderam o equilíbrio entre segurança pública e privacidade digital.



