Aaron Sorkin prepara continuação de “The Social Network” e mira Jeremy Allen White e Mikey Madison
Mais de uma década após o lançamento de “The Social Network”, o argumentista Aaron Sorkin trabalha numa segunda parte do filme e, segundo informações avançadas pelo Deadline, já iniciou contactos com potenciais protagonistas. Os nomes em cima da mesa são Jeremy Allen White, reconhecido pela série The Bear, e Mikey Madison, vencedora do Óscar pelo desempenho em Anora.
Projeto inspira-se em “The Facebook Files”
Ao contrário da obra original, centrada na ascensão de Mark Zuckerberg, a nova produção pretende abordar as conclusões de “The Facebook Files”, série de reportagens assinada pelo jornalista Jeff Horwitz e publicada no Wall Street Journal. Os artigos detalharam impactos negativos da rede social em adolescentes e o seu envolvimento na disseminação de desinformação.
O enredo deverá seguir uma linha narrativa baseada nesses factos, colocando em destaque a investigação jornalística e a denúncia interna que serviu de suporte às publicações. Para materializar essa abordagem, Sorkin pondera entregar a Jeremy Allen White o papel de Horwitz, enquanto Mikey Madison poderá interpretar Frances Haugen, ex-gestora de produto da Meta (então Facebook) e principal denunciante que forneceu documentação à imprensa.
De acordo com a mesma fonte, o realizador — que venceu o Óscar de Melhor Argumento Adaptado pelo filme de 2010 — reuniu pessoalmente com ambos os atores. No entanto, a produção permanece em fase de desenvolvimento e, até ao momento, a Sony Pictures ainda não deu luz verde oficial.
Escolha de elenco ainda não confirmada
Jeremy Allen White tornou-se um dos atores mais requisitados de Hollywood após o sucesso de The Bear, série onde encarna um chef de cozinha a braços com a reconstrução de um restaurante familiar. Já Mikey Madison consolidou-se como estrela emergente depois de protagonizar Anora, papel que lhe valeu um Óscar recente.
Apesar do interesse declarado, a participação de ambos depende de vários fatores comuns a produções de grande escala: negociações de agenda, orçamentos, contratos e aprovação final do estúdio. Até que o projeto seja oficialmente autorizado pela Sony, qualquer avanço no elenco permanece sujeito a alteração.
Contexto: do retrato de Zuckerberg à cultura de denúncias
Lançado em 2010, “The Social Network” explorou a fundação do Facebook na Universidade de Harvard e os conflitos judiciais que acompanharam a expansão da empresa. O filme conquistou aclamação crítica, arrecadou múltiplos prémios e consolidou a reputação de Sorkin como um dos principais roteiristas da indústria.
Entretanto, o panorama das redes sociais mudou substancialmente. As reportagens de Jeff Horwitz — publicadas a partir de 2021 — trouxeram a público documentos internos que sugeriam a consciência da empresa sobre os efeitos adversos da plataforma em utilizadores jovens, bem como o papel do algoritmo na circulação de conteúdos falsos. Frances Haugen, então funcionária, disponibilizou os materiais que fundamentaram a investigação e tornou-se figura central no debate sobre transparência corporativa.
Ao adaptar “The Facebook Files”, a sequela tem como missão retratar as transformações no discurso público em torno das redes sociais e expor bastidores de investigações jornalísticas contemporâneas. Esse enfoque distingue-se do primeiro filme, cuja narrativa privilegiou os bastidores da fundação e os litígios entre os cofundadores.
Processo de desenvolvimento e próximo passos
Em Hollywood, projetos em desenvolvimento percorrem várias etapas antes da produção: redação do guião, revisões, elaboração de orçamento, escolha final de elenco e aprovação do estúdio. Segundo o Deadline, o guião de Sorkin já se encontra numa versão inicial, mas ainda falta a confirmação financeira da Sony Pictures para avançar para pré-produção.

Imagem: techcrunch.com
Até lá, o realizador prossegue negociações reservadas com atores e equipa técnica. Caso Jeremy Allen White e Mikey Madison fechem contrato, a fase seguinte implicará definir cronograma de filmagens, locais de rodagem e restantes membros do elenco. Todas essas decisões dependem do aval formal do estúdio, que avaliará fatores como viabilidade comercial, orçamento e cronograma de lançamento.
Importância de “The Facebook Files” para o argumento
A série de reportagens de Jeff Horwitz foi determinante para reacender discussões sobre responsabilidade das plataformas digitais. Ao documentar de forma minuciosa os efeitos do Facebook em públicos vulneráveis e a propagação de desinformação, os artigos influenciaram debates legislativos e análises académicas.
Frances Haugen desempenhou papel decisivo ao fornecer milhares de páginas de documentos internos que embasaram as reportagens. Na sequência proposta, a personagem deverá representar a figura da whistleblower que expõe práticas empresariais, enquanto Jeff Horwitz encarnará o jornalista responsável por interpretar os dados e divulgá-los ao público.
Expectativas do mercado cinematográfico
Embora o projeto ainda careça de aprovação, a possibilidade de uma continuação de “The Social Network” desperta interesse tanto de críticos como de analistas da indústria. O primeiro filme manteve relevância cultural ao longo dos anos e a eventual sequela tem potencial para revisitar temas atuais, como ética tecnológica e impacto social das plataformas.
No entanto, sem confirmação oficial da Sony Pictures, permanecem em aberto a calendarização de filmagens, o orçamento total e a data de estreia. Até que o estúdio se pronuncie, o projeto permanece classificado como “em desenvolvimento”, estágio comum a numerosos títulos que podem ou não avançar.
Contactado pelo Deadline, um representante de Sorkin limitou-se a indicar que o guião existe e que o realizador se encontra a sondar atores compatíveis com a narrativa. Nem Sony Pictures, nem os representantes de Jeremy Allen White ou Mikey Madison comentaram publicamente os encontros referidos.
Perspetivas para a narrativa
Caso concretizada, a continuação deverá alternar entre a recolha das informações de “The Facebook Files” e o processo de denúncia interna, oferecendo ao público uma visão combinada de jornalismo investigativo e conflitos corporativos. Ao concentrar-se em eventos mais recentes e documentados, a produção poderá apresentar uma abordagem factual sobre os desafios de moderação de conteúdo, saúde mental de adolescentes e políticas internas de grandes empresas tecnológicas.
Por ora, o projeto aguarda decisões executivas. Enquanto isso, Jeremy Allen White e Mikey Madison permanecem em fase de negociações preliminares, num passo que pode definir o tom e a receção crítica da futura obra de Aaron Sorkin.
