Acordo dos Emirados Árabes para comprar chips de IA da Nvidia é suspenso por preocupação de segurança dos EUA
O acordo que autorizaria os Emirados Árabes Unidos a adquirir chips de inteligência artificial avaliados em bilhões de dólares de fabricantes norte-americanos foi suspenso por autoridades dos Estados Unidos. Segundo pessoas a par das negociações, o governo norte-americano teme que os semicondutores, produzidos pela Nvidia e por outras empresas do setor, possam ser desviados para a China.
A negociação vinha sendo tratada como um dos maiores contratos internacionais para fornecimento de componentes de alto desempenho voltados a aplicações de IA. A interrupção ocorre antes da conclusão formal do entendimento e está diretamente ligada a considerações de segurança nacional, conforme relatos publicados por veículo de imprensa norte-americano que citou fontes anônimas.
Quando o plano de venda foi estruturado, Washington já manifestava receio de que lotes de chips avançados fossem contrabandeados para compradores não autorizados, especialmente dentro do território chinês. Representantes dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita informaram, na ocasião, que mecanismos de proteção impediriam esse tipo de desvio. Apesar das garantias, as autoridades dos Estados Unidos consideraram insuficientes as salvaguardas propostas e optaram por frear o processo.
A preocupação com o tráfico de semicondutores de última geração para a China aumentou nos últimos meses, acompanhando o avanço das restrições impostas por Washington ao setor de tecnologia. O governo norte-americano já havia limitado, em 2024, a exportação direta de determinados modelos de GPU para clientes chineses e agora avalia ampliar as barreiras a outros mercados considerados vulneráveis a rotas de reexportação.
De acordo com informações circuladas na indústria, a administração Trump estuda estender controles de exportação a países do Sudeste Asiático, entre eles Tailândia e Malásia, justamente para diminuir possíveis canais paralelos de abastecimento chinês. Como medida preventiva, a Malásia passou a exigir, nesta semana, licenças específicas para a saída de chips de IA de origem norte-americana, buscando adequar-se às exigências de Washington e evitar sanções comerciais.
O endurecimento regulatório tem reflexos diretos sobre fabricantes de semicondutores. A Nvidia, maior fornecedora global de unidades de processamento gráfico voltadas a inteligência artificial, já sinalizou ao mercado que pode perder bilhões de dólares em receita devido às limitações de licença impostas a seu modelo H20, desenvolvido justamente para contornar restrições anteriores.
Além dos impactos financeiros para a companhia, o impasse trava planos de expansão de infraestrutura computacional nos Emirados Árabes Unidos, que pretendem acelerar projetos nacionais de IA em setores como energia, logística e serviços governamentais. Sem o fornecimento garantido de hardware de alto desempenho, iniciativas locais podem sofrer atrasos significativos.
Até o momento, nenhuma das partes envolvidas divulgou cronograma para retomar as tratativas ou revisar as cláusulas de segurança. Também não há clareza sobre eventuais exigências adicionais que poderiam destravar a transação. Fontes familiarizadas com o assunto indicam, entretanto, que os EUA continuarão a monitorar rotas de exportação e imposições de licenças em múltiplas jurisdições antes de liberar carregamentos de chips com potência superior a limites já estabelecidos.
Especialistas em comércio internacional avaliam que o episódio reforça a tendência de fragmentação das cadeias de suprimento de semicondutores, com governos tentando equilibrar interesses estratégicos e a demanda global por capacidade computacional avançada. Enquanto isso, companhias que dependem desses componentes seguem ajustando projeções de investimento e buscando alternativas de hardware em um ambiente regulatório cada vez mais volátil.

