Apple alerta iranianos sobre spyware que visa iPhones
Apple enviou recentemente avisos de segurança a mais de uma dezena de utilizadores iranianos, sinalizando que os seus iPhones foram alvo de software espião com origem governamental, segundo investigadores de cibersegurança.
Notificações atingem ativistas e cidadãos na Europa e no Irão
A organização Miaan Group, dedicada aos direitos digitais no contexto iraniano, e o investigador Hamid Kashfi, que reside na Suécia, confirmaram ter contactado várias das pessoas alertadas nos últimos 12 meses. O relatório anual do Miaan Group, publicado esta semana, documenta três casos concretos: dois ocorridos em território iraniano e um na Europa. Dois dos visados pertencem a uma família historicamente ativa na oposição à República Islâmica, com vários parentes executados pelo regime.
Amir Rashidi, diretor de direitos digitais da organização, afirmou existir «uma forte probabilidade» de o governo iraniano estar por trás da operação, embora sublinhe a necessidade de análises forenses adicionais. Já Kashfi, fundador da empresa DarkCell, colaborou nos primeiros exames aos dispositivos de duas vítimas, mas não pôde identificar o fabricante do spyware. Alguns utilizadores preferiram não prosseguir com a investigação devido ao clima de risco.
Apple expande programa global de avisos
Desde 2021, a tecnológica norte-americana envia «notificações de ameaça» a utilizadores que considera visados por spyware comercial — ferramentas como Pegasus (NSO Group) ou Graphite (Paragon). De acordo com a página de suporte da empresa, mensagens desse tipo já foram encaminhadas para pessoas em mais de 150 países. A Apple não revela quais os Estados envolvidos nem o número total de notificações enviadas.
Em paralelo, a empresa recomenda que possíveis alvos contactem a organização Access Now, que mantém uma linha de apoio 24 horas para examinar casos de vigilância digital. Apple não comentou especificamente os alertas dirigidos a cidadãos iranianos.
Alcance global da espionagem comercial
Os avisos da Apple têm permitido a investigadores mapear abusos semelhantes em países como Índia, El Salvador e Tailândia, evidenciando a disseminação de spyware vendido a governos. A escalada de ataques contra membros da sociedade civil iraniana reforça o debate sobre a regulação internacional destas ferramentas e a necessidade de mecanismos de defesa mais abrangentes para utilizadores de dispositivos móveis.
