Avalanche Energy mantém 300 mil volts e prepara reator de fusão compacto

A Avalanche Energy alcançou um passo decisivo rumo à fusão nuclear em formato de secretária ao fazer funcionar o seu protótipo durante várias horas com tensão sustentada de 300 000 volts. Segundo o cofundador e diretor-executivo Robin Langtry, esse patamar deverá permitir construir um reator capaz de gerar mais energia do que consome, objetivo central para qualquer projeto de fusão.

Tensão elevada viabiliza design sem ímanes

Ao contrário de iniciativas que dependem de ímanes poderosos, a abordagem da Avalanche usa correntes elétricas intensas para confinar iões em órbitas apertadas em torno de um eletrodo. À medida que a densidade e a velocidade dessas partículas aumentam, ocorrem colisões que libertam energia por fusão nuclear.

Manter voltagens muito altas é considerado o elemento decisivo. A empresa trabalha com uma densidade de 6 milhões de volts por metro, suficiente, segundo Langtry, para viabilizar reatores de 5 kW a “várias centenas” de quilowatts. A produção elevada de neutrões a baixo custo poderá ainda servir para fabricar radioisótopos e testar materiais destinados a outros reatores de fusão.

Centro de testes FusionWERX recebe apoio estadual

Para ampliar a investigação, a Avalanche obteve 10 milhões de dólares do Estado de Washington para construir o FusionWERX, instalação que poderá ser utilizada por outras equipas de fusão. Os recursos provêm do mercado estadual de carbono e exigem financiamento privado equivalente, meta que a empresa já começou a assegurar.

O plano financeiro prevê rentabilizar o projeto através da venda de radioisótopos e do aluguer do FusionWERX, o que, nas estimativas da direção, deve tornar a companhia lucrativa em 2028. A projeção de receitas situa-se entre 30 e 50 milhões de dólares em 2029.

Captação de fundos em série A

Com o marco dos 300 000 volts atingido e o centro de testes em fase de lançamento, a Avalanche encontra-se a reunir capital para cumprir a contrapartida exigida pelo subsídio estadual. De acordo com Langtry, boa parte desse montante já está encaminhada, sendo o financiamento do FusionWERX a prioridade imediata antes da passagem para novos desenvolvimentos do reator compacto.