Bank of America aponta impacto positivo de possível retomada de vendas de chips de IA à China e eleva projeções para Nvidia e AMD
São Paulo – O Bank of America (BofA) avaliou que a eventual autorização para Nvidia e AMD voltarem a vender unidades de processamento gráfico (GPUs) voltadas à inteligência artificial (IA) na China pode acelerar os resultados da indústria de semicondutores. A proibição dos envios, em vigor desde 15 de abril, impediu o acesso do mercado chinês aos chips de alto desempenho fabricados nos Estados Unidos. Segundo o banco, reportagens e comunicações das próprias companhias indicam que licenças para retomar os embarques podem ser concedidas, criando novas perspectivas de receita para 2025 e 2026.
Com base em um cenário que considera a normalização parcial dos fluxos comerciais, o BofA calcula que a possível retomada adicionaria entre 5% e 7% ao lucro por ação da Nvidia e de 3% a 5% ao da AMD nos exercícios de 2025 e 2026. Para refletir esse potencial, o banco ajustou as projeções de preço-alvo: os papéis da Nvidia passaram de US$ 180 para US$ 220, enquanto os da AMD subiram de US$ 130 para US$ 175. Os analistas ressaltam, porém, que os modelos financeiros ainda não foram revisados de forma definitiva, já que as licenças dependem de autorização oficial.
O banco entende que a reabertura do maior mercado asiático, mesmo que com produtos de desempenho inferior aos oferecidos no Ocidente, pode expandir a chamada “oportunidade endereçável” de IA para fornecedores norte-americanos em cerca de 5% a 10%. Esse movimento também seria visto como uma forma de preservar a liderança dos Estados Unidos na cadeia global de tecnologia, uma vez que mantêm interação direta com desenvolvedores chineses e mitigam a concorrência de fabricantes locais, como a Huawei.
Para a Nvidia, o BofA projeta que as vendas para a China possam alcançar de US$ 4 bilhões a US$ 6 bilhões por trimestre durante o segundo semestre de 2025. A expectativa é de estabilidade desse nível em 2026, devido à combinação entre restrições regulatórias remanescentes e competição de produtores domésticos. Mesmo com possíveis limitações de capacidade, o volume adicional representaria um componente relevante da receita total da companhia.
No caso da AMD, a estimativa aponta para um incremento de aproximadamente US$ 1 bilhão nas receitas de data centers em 2025, aumentando para US$ 2 bilhões no ano seguinte. Esses valores refletem a retomada das encomendas de aceleradores de IA por parte de provedores de nuvem e outras empresas de tecnologia chinesas, que buscam alternativas para suprir a demanda por processamento avançado.
Embora o foco principal do relatório sejam Nvidia e AMD, o BofA prevê que o anúncio de licenças também favoreça ações ligadas à cadeia de IA em sentido amplo. Entre os potenciais beneficiados estão Broadcom (AVGO), Marvell Technology (MRVL), Credo Technology (CRDO), fornecedores de componentes ópticos, fabricantes de memória, empresas de automação de design eletrônico (EDA) e fundições especializadas em semicondutores avançados.
O banco lembra que o embargo original, implementado pelo governo norte-americano em abril, restringiu a exportação de chips de última geração para a China em razão de preocupações de segurança. Desde então, Nvidia e AMD vêm desenvolvendo versões específicas de suas GPUs com limites de performance para buscar conformidade com as regras de controle de exportação.
De acordo com o documento, caso as licenças sejam confirmadas, as remessas devem começar no terceiro trimestre de 2025. A normalização parcial do fluxo comercial permitiria às duas companhias capitalizar a demanda reprimida por soluções de IA em um dos maiores mercados de tecnologia do mundo. Ao mesmo tempo, o banco enfatiza que qualquer projeção permanece sujeita a mudanças regulatórias adicionais e ao ritmo de avanço de competidores locais.
Para os investidores, a instituição financeira avalia que a combinação de previsão de crescimento de lucro, expansão geográfica e manutenção de participação de mercado reforça a tese de longo prazo para ambas as fabricantes. Ainda assim, a equipe do BofA destaca que os impactos efetivos dependem da confirmação oficial das permissões de exportação, o que justifica a cautela na atualização definitiva dos modelos de receita.
Por fim, o relatório afirma que o retorno da China ao portfólio de clientes das fabricantes norte-americanas tende a reaquecer o sentimento de todo o setor de semicondutores, já que restaura parte da demanda global e pode incentivar novos investimentos em capacidade produtiva e inovação em tecnologias de IA.

