CEO da Nvidia destaca influência da inteligência artificial em todos os setores e confirma retomada das vendas de chips à China
O diretor-presidente da Nvidia, Jensen Huang, declarou nesta quarta-feira, 16, em Pequim, que a inteligência artificial (IA) está impactando de forma transversal a economia global e remodelando atividades que vão da pesquisa científica à logística. A afirmação foi feita durante a Exposição Internacional de Cadeias de Suprimento, evento que reúne autoridades chinesas e executivos de multinacionais.
Segundo Huang, a adoção de soluções baseadas em IA já alcança setores como saúde, energia, transporte e cadeias de produção, impulsionando ganhos de eficiência e abrindo novas frentes de inovação. Ele atribuiu parte desse avanço à velocidade com que empresas e centros de pesquisa chineses desenvolvem sistemas de código aberto, citando o modelo DeepSeek, lançado no início do ano, como exemplo de plataforma capaz de viabilizar projetos em diversos países sem depender de componentes de ponta.
O executivo informou que a Nvidia recebeu autorização do governo dos Estados Unidos para retomar as exportações do chip H20 ao mercado chinês. O produto foi concebido para atender às restrições impostas por Washington, que proíbem a venda de semicondutores mais poderosos a entidades chinesas por motivos de segurança nacional. As primeiras remessas, de acordo com Huang, serão enviadas assim que os trâmites logísticos forem concluídos.
As limitações comerciais começaram a vigorar em 2023 e foram ampliadas em abril deste ano, quando a administração de Donald Trump endureceu o processo de concessão de licenças. Mesmo com a aprovação anunciada agora, os modelos mais avançados da companhia — utilizados para treinamento de redes neurais de grande escala — continuam fora do alcance de clientes chineses.
Durante o mesmo evento, o vice-primeiro-ministro He Lifeng criticou tarifas e outras barreiras que, segundo ele, distorcem o comércio internacional. O dirigente defendeu a construção de um consenso multilateral que impeça a politização de temas econômicos e ressaltou que a China pretende se posicionar como promotora do livre-comércio em meio às tensões atuais.
A participação de Huang ganhou destaque adicional depois de a Nvidia ter alcançado, nesta semana, valor de mercado de US$ 4 trilhões, feito inédito no setor de tecnologia. A marca reflete a demanda crescente por processadores otimizados para IA, segmento no qual a empresa californiana detém posição dominante.
Para contornar as restrições, a companhia desenvolveu a linha H20 com especificações inferiores às dos chips topo de linha, porém suficientes para aplicações corporativas de aprendizagem de máquina. Analistas veem a liberação da venda como tentativa dos Estados Unidos de equilibrar o controle de exportações com a preservação de oportunidades de negócios para empresas domésticas.
No plano local, autoridades chinesas enxergam os semicondutores da Nvidia como componentes estratégicos para sustentar projetos de IA generativa e manter a competitividade de startups nacionais. A expectativa é que grandes provedores de nuvem e instituições de pesquisa sejam os principais compradores na etapa inicial.
Huang ressaltou que o ecossistema de IA de código aberto contribui para difundir conhecimentos e reduzir barreiras de entrada, permitindo que organizações de diferentes portes participem da transformação digital. “Cada país e cada setor pode se unir à revolução da IA”, observou, sem mencionar prazos específicos para novas parcerias.
Embora a Nvidia seja atualmente o principal fornecedor ocidental de processadores de alto desempenho, outras empresas buscam alternativas para contornar o regime de licenças. Fabricantes locais da China aceleram projetos internos de GPUs, enquanto conglomerados europeus e asiáticos expandem investimentos em fábricas de litografia avançada.
Na avaliação de consultorias de mercado, o ritmo de adoção de IA nas cadeias de suprimento deve intensificar a demanda por hardware especializado, impulsionando a disputa entre diferentes polos tecnológicos. A retomada das vendas do H20 é vista como um indicador de que, mesmo sob restrições, fornecedores e clientes continuam a negociar soluções que atendam aos requisitos regulatórios.
Huang concluiu sua participação enfatizando que a IA não se resume a avanços de laboratório, mas se traduz em aplicações práticas capazes de melhorar diagnósticos médicos, otimizar rotas de transporte e reduzir consumo de energia. Para o executivo, essas frentes demonstram por que a tecnologia se tornou um elemento central no planejamento de governos e empresas ao redor do mundo.

