ChatGPT alcança 300 milhões de usuários por semana e passa por expansão acelerada, controvérsias e novos recursos

São Francisco – Lançado em 30 de novembro de 2022, o ChatGPT ganhou escala sem precedentes e, em meados de 2025, já registra cerca de 300 milhões de usuários ativos semanalmente. O crescimento impulsionou uma sucessão de parcerias, produtos e debates públicos sobre segurança, uso de dados e impacto regulatório.

Evolução técnica e integrações estratégicas

Em 2024, a OpenAI introduziu o modelo multimodal GPT-4o, incorporou voz em tempo real ao chatbot e fechou acordo com a Apple para fornecer a camada de IA batizada de “Apple Intelligence”. No mesmo período, a empresa apresentou o gerador de vídeo Sora, reforçando a ambição de integrar texto, imagem, áudio e vídeo em um único ecossistema.

Já em 2025, a linha de modelos foi novamente ampliada. A companhia liberou o GPT-4.1 e versões compactas (mini e nano), lançou o modelo de raciocínio o3-pro e passou a disponibilizar funções como deep research, flex processing — que corta custos ao aceitar latência maior — e conexões nativas com serviços de nuvem corporativos. Para desenvolvedores, a chegada do agente de codificação Codex, movido pelo modelo codex-1, promete gerar códigos mais limpos e precisos em tarefas que podem durar de poucos minutos a meia hora.

Novas experiências para o usuário final

A experiência conversacional recebeu diversas melhorias. O modo de voz avançado ficou mais natural, o assistente ganhou memória para reter preferências e foi testada a ferramenta “Study Together”, focada em estudos colaborativos. Recursos de lembretes (“tasks”), personalização de tom e nome, além de busca na web sem login, também começaram a ser liberados de forma gradual.

Para empresas e governos, foram criadas camadas dedicadas: ChatGPT Team, Enterprise, Edu e a edição ChatGPT Gov, direcionada a órgãos federais nos Estados Unidos com requisitos de segurança adicionais.

Infraestrutura, chips e consumo de recursos

Tradicional compradora de GPUs da Nvidia, a OpenAI passou a utilizar processadores de IA do Google em parte da operação. O CEO Sam Altman estimou que cada consulta média ao ChatGPT consome 0,34 Wh e cerca de um quinze avos de colher de chá de água para resfriamento. A companhia também estuda um megaprojeto de data center, apelidado de “Project Stargate”, e avalia uma das maiores captações de recursos já vistas no setor.

Desafios regulatórios e ações judiciais

O avanço acelerado trouxe pressão jurídica. A OpenAI enfrenta processos de jornais controlados pela Alden Global Capital, que alegam infração de direitos autorais, e um pedido de Elon Musk para barrar a transição da organização para fins lucrativos. Na União Europeia, usuários podem solicitar remoção de dados pessoais nos modelos, enquanto, nos Estados Unidos, cresce o debate sobre retenção de informações — o agente Operator pode armazenar conversas por até 90 dias mesmo após exclusão manual.

Controvérsias internas e saídas de executivos

No plano corporativo, 2024 marcou as saídas do cofundador e cientista-chefe Ilya Sutskever e da CTO Mira Murati, alimentando especulações sobre divergências na estratégia de segurança. Em julho de 2025, Altman adiou indefinidamente o lançamento do primeiro modelo de pesos abertos da empresa para conduzir mais testes de risco.

Pesquisa acadêmica e impactos sociais

Estudos recentes destacam desafios de uso. A Universidade de Stanford observou que chatbots terapêuticos podem estigmatizar pacientes ou fornecer conselhos inadequados. Pesquisadores do MIT, acompanhando atividade cerebral de escritores, concluíram que usuários do ChatGPT apresentam menor engajamento neural e resultados inferiores a grupos sem ferramentas de IA. Já a consultoria Similarweb apontou queda crescente nos cliques a sites de notícias, pois 69% das buscas terminam dentro de respostas geradas por IA.

Produtos em desenvolvimento e mudanças de rota

A OpenAI confirmou testes de um navegador próprio para disputar espaço com o Chrome e explora uma rede social capaz de competir com X e Instagram. O plano de lançar o modelo o3 como produto independente foi abandonado; a tecnologia será incorporada ao futuro GPT-5. Além disso, a empresa estuda adquirir a startup de dispositivos do designer Jony Ive por US$ 6,4 bilhões para aproximar hardware e IA.

Perspectivas

Enquanto enfrenta a concorrência de rivais chineses, como a DeepSeek, e a pressão de legisladores, a OpenAI continua a expandir o ChatGPT com foco em personalização, agentes autônomos e maior integração a fluxos de trabalho corporativos. A expectativa de faturamento de US$ 12,7 bilhões em 2025 demonstra a aposta de que o crescimento de usuários e a diversificação de produtos compensarão o alto custo operacional e as incertezas regulatórias.