Confiança e colaboração humano-IA podem liberar US$ 450 bilhões até 2028, aponta estudo
Um relatório do Capgemini Research Institute indica que a adoção de agentes de inteligência artificial autônomos ou semiautônomos — chamados de “agentic AI” — pode gerar até US$ 450 bilhões em ganhos econômicos globais até 2028, combinando aumento de receita e redução de custos. O estudo ouviu 1.500 executivos de empresas com faturamento anual superior a US$ 1 bilhão em 14 países e mostra que, apesar do potencial financeiro, apenas 2% das organizações já conseguiram escalar plenamente essa tecnologia.
Os resultados revelam uma lacuna entre a ambição executiva e a preparação operacional. Embora 93% dos líderes empresariais acreditem que ampliar o uso de agentes de IA nos próximos 12 meses garantirá vantagem competitiva, quase metade das companhias ainda não possui um plano estruturado para implantar a solução. No momento, 24% conduzem projetos-piloto e 14% iniciaram implementações, mas a maioria segue em fase de planejamento.
Queda na confiança impulsiona demanda por transparência
A confiança em agentes totalmente autônomos caiu de 43% para 27% em um ano, em meio a preocupações com privacidade, ética e explicabilidade dos algoritmos. Hoje, somente 40% das organizações confiam que esses sistemas possam gerir processos de forma independente. O estudo aponta, entretanto, que a confiança aumenta na medida em que os projetos avançam: entre empresas já em implementação, 47% registram nível de confiança acima da média, contra 37% nas etapas exploratórias.
Para reduzir o chamado “gap de confiança”, as empresas têm priorizado iniciativas de transparência, adoção de salvaguardas éticas e clareza sobre os critérios de decisão das máquinas. Quase dois em cada cinco executivos ainda veem mais riscos do que benefícios na adoção da agentic AI, o que reforça a necessidade de governança robusta.
Papel do fator humano
O levantamento aponta que agentes de IA produzem melhores resultados quando humanos permanecem no circuito. Sete em cada dez executivos consideram que a supervisão humana compensa eventuais custos adicionais, e 90% avaliam essa participação como positiva ou neutra em termos financeiros. Dentro de 12 meses, 60% das organizações esperam criar equipes híbridas em que os agentes funcionem como subordinados ou ampliem as capacidades dos profissionais.
A expectativa é que, com colaboração eficiente, o engajamento humano em tarefas de alto valor cresça 65%, a criatividade aumente 53% e a satisfação dos funcionários avance 49%. Em contrapartida, 70% das companhias preveem reestruturações organizacionais para acomodar novos papéis, fluxos de trabalho e modelos de governança decorrentes da integração homem-máquina.
Impacto financeiro da escala
Segundo o estudo, organizações que conseguirem ampliar o uso de agentes de IA podem gerar, em média, US$ 382 milhões adicionais nos próximos três anos, enquanto aquelas em estágios iniciais tendem a alcançar cerca de US$ 76 milhões. Os primeiros setores a adotar a tecnologia em larga escala devem ser atendimento ao cliente, TI e vendas; nos três anos seguintes, a expectativa é de expansão para operações, P&D e marketing.
Apesar do otimismo, o nível de autonomia ainda é baixo. Apenas 15% dos processos empresariais operam hoje em regime semiautônomo ou totalmente autônomo. A projeção para 2028 eleva esse percentual a 25%, indicando que, no curto prazo, a maioria dos agentes continuará atuando como assistentes ou copilotos em atividades rotineiras, sem gerir fluxos de trabalho complexos de forma independente.
Desafios de infraestrutura, dados e ética
A readiness para IA permanece limitada. Oito em cada dez empresas não possuem infraestrutura madura, e menos de 20% relatam alto nível de preparo de dados. Questões éticas também são recorrentes: 51% dos entrevistados citam privacidade como principal preocupação, mas apenas 34% adotam ações concretas para mitigar o problema. Além disso, metade dos líderes admite não compreender plenamente as capacidades dos agentes, e parcela ainda menor consegue identificar áreas em que esses sistemas superam a automação tradicional.
Os autores do relatório concluem que, para capturar o potencial econômico estimado, as empresas precisam superar o hype e concentrar esforços em redefinir processos com mentalidade “AI-first”, revendo modelos de negócios, estruturas organizacionais e, principalmente, equilibrando autonomia dos agentes com supervisão humana rigorosa.
Metodologia: a pesquisa global foi realizada em abril de 2025 com executivos de nível diretor ou superior, sendo 60% de funções de dados e IA e 40% de áreas de negócios diversas, abrangendo 13 setores.

