EUA destina mais de US$ 90 bilhões para infraestrutura de inteligência artificial

O governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de investimentos que supera US$ 90 bilhões para ampliar a infraestrutura nacional voltada à inteligência artificial (IA). O plano foi detalhado na terça-feira, 15 de julho, durante a Cúpula de Energia e Inovação da Pensilvânia, realizada em Pittsburgh, e tem o objetivo de reforçar a posição do país na disputa tecnológica global.

Do total liberado por Washington, US$ 56 bilhões serão destinados à expansão da infraestrutura de energia, fator considerado crucial para garantir o suprimento elétrico exigido por grandes modelos de IA. Os outros US$ 36 bilhões financiarão a construção de novos datacenters, equipamentos que concentram processamento de alto desempenho e armazenamento de dados em larga escala.

Ao apresentar o programa, o presidente Donald Trump afirmou que a prioridade é assegurar a liderança dos Estados Unidos frente à China no desenvolvimento e na aplicação de sistemas baseados em IA. O evento contou com representantes de companhias de tecnologia, como Google, Anthropic e Amazon, além de executivos de empresas do setor de combustíveis fósseis, entre elas a ExxonMobil.

Além das verbas públicas, o anúncio foi acompanhado por compromissos expressivos da iniciativa privada. A Blackstone, gestora de private equity, revelou um investimento de US$ 25 bilhões em novos datacenters e infraestrutura energética, incluindo projetos de usinas a gás natural. Na mesma linha, o Google destinará o equivalente a US$ 25 bilhões à construção de centros de processamento de dados em território norte-americano e direcionará mais US$ 3 bilhões à modernização de barragens na Pensilvânia, medida que busca ampliar a capacidade de geração hidrelétrica e fornecer energia estável aos complexos de computação.

O empenho do governo federal na área não começou com o pacote divulgado na Pensilvânia. Logo após assumir a presidência, em janeiro, Trump apresentou a iniciativa privada denominada Stargate, que prevê a aplicação de US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA ao longo dos próximos quatro anos. O projeto é financiado por SoftBank e OpenAI e conta com a participação de Oracle, MGX, Nvidia, Arm e Microsoft.

Enquanto isso, a China também acelera investimentos próprios. O país asiático já destina recursos expressivos ao desenvolvimento de datacenters, semicondutores avançados e redes de laboratórios de pesquisa. Entre os principais atores desse ecossistema estão a DeepSeek, que ganhou projeção internacional no início do ano, além de conglomerados como Alibaba, Baidu e Huawei, que apostam em tecnologias de código aberto.

Reportagem do The New York Times indica que Pequim canaliza verbas estatais para construir grandes parques de servidores e apoiar empresas que atuam em IA. A ByteDance, controladora do TikTok, direcionou US$ 11 bilhões a infraestrutura de inteligência artificial no ano passado, reforçando a dinâmica de investimento público-privado no país.

A diferença de perfil entre os dois mercados também chama atenção. Nos Estados Unidos, a maior parte do capital dedicado a IA continua proveniente de gigantes de tecnologia e de fundos privados, ainda que o governo agora amplie seu aporte direto. Já na China, o Estado exerce papel central como financiador e formulador de políticas, complementado pelo engajamento de grandes empresas locais.

Com os novos recursos anunciados em Pittsburgh, Washington procura assegurar que o ecossistema norte-americano disponha de energia confiável, infraestrutura de computação robusta e ambiente regulatório favorável para sustentar o crescimento acelerado da inteligência artificial. O governo indicou que detalhará novas iniciativas nas próximas semanas.