Ex-CTO da OpenAI capta US$ 2 bilhões para a recém-criada Thinking Machines
A Thinking Machines Lab Inc., startup fundada em fevereiro de 2025 pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, anunciou nesta terça-feira (15) a captação de US$ 2 bilhões em rodada de seed funding. Avaliada agora em US$ 12 bilhões, a empresa registrou um dos maiores investimentos já relatados para uma companhia em estágio inicial no Vale do Silício.
O aporte foi liderado pela Andreessen Horowitz e contou com a participação de Nvidia, Accel, ServiceNow, Cisco Ventures, Advanced Micro Devices (AMD) e Jane Street, entre outros. De acordo com pessoas próximas às negociações, as conversas com investidores começaram em abril e giravam inicialmente em torno de uma avaliação de US$ 10 bilhões, valor que aumentou antes do fechamento da rodada.
A expressiva quantia obtida antes mesmo do lançamento de um produto comercial reflete tanto o interesse do mercado em modelos de inteligência artificial (IA) de próxima geração quanto a reputação de Murati. À frente da área técnica da OpenAI, a executiva foi responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT, pelo modelo de geração de imagens DALL-E e pelo GPT-4o, arquitetura que introduziu um processo de raciocínio mais próximo do humano.
Em publicação na rede X, Murati adiantou que a Thinking Machines pretende apresentar seu primeiro produto nos próximos meses. Segundo a CEO, a oferta incluirá um componente de código aberto para auxiliar pesquisadores na criação de modelos personalizados e fornecer transparência científica sobre sistemas de IA de fronteira. Ela não confirmou, porém, se a empresa pretende disponibilizar um modelo totalmente aberto, estratégia adotada por alguns concorrentes da OpenAI.
A missão declarada da companhia é “capacitar a humanidade por meio do avanço da inteligência geral colaborativa”. Para isso, a equipe trabalha em uma plataforma multimodal capaz de combinar linguagem, visão e outras formas de interação natural. A proposta é permitir que usuários conversem com os sistemas, compartilhem imagens e colaborem de maneira integrada, reproduzindo a complexidade das relações humanas.
Desde a fundação, Murati enfatiza que a qualidade da infraestrutura é prioridade. Em fevereiro, afirmou que produtividade em pesquisa depende de ambientes confiáveis, eficientes e fáceis de usar, razão pela qual pretende “construir corretamente para o longo prazo”. Outro princípio é desenvolver modelos que não se limitem a tarefas específicas — como programação ou matemática —, mas que consigam se adaptar ao amplo espectro de competências humanas.
O quadro de liderança reúne ex-colegas da OpenAI. O pesquisador Barret Zoph assumiu o cargo de diretor de tecnologia (CTO), enquanto John Schulman, um dos cofundadores da antiga empresa de Murati, tornou-se diretor de pesquisa. A Thinking Machines planeja expandir a equipe e busca profissionais com experiência comprovada em criar produtos de IA do zero.
Embora o aporte forneça recursos substanciais, a startup encara concorrentes já consolidados e capitalizados, como OpenAI, Google (e sua divisão DeepMind) e Anthropic. Esses grupos também perseguem a chamada inteligência geral artificial (AGI) — sistemas que superariam a capacidade cognitiva humana — e dispõem de orçamentos ainda mais elevados.
Para os investidores, a combinação entre capital robusto e um time reconhecido é suficiente para manter a Thinking Machines na disputa. Nos próximos meses, o mercado acompanhará se a estratégia de infraestrutura confiável, abertura seletiva de tecnologia e foco em multimodalidade permitirá à empresa alcançar — ou ultrapassar — os atuais líderes do setor.

