Ex-presidente da Tesla revela método que impulsionou 17 novos elétricos da GM
Jon McNeil, ex-presidente da Tesla e membro do conselho de administração da General Motors, atribui o avanço recente da GM no mercado de veículos elétricos a uma prática simples: reuniões semanais de produto sem slides, nas quais apenas o protótipo real é analisado.
Reuniões focadas no produto
Durante um evento em Boston no início do mês, McNeil relatou que esse formato, adotado por Elon Musk na Tesla, obrigava equipas de engenharia e design a apresentar progressos concretos todas as semanas. Segundo ele, a regra “sem slides” mantém o foco na experiência do utilizador e incentiva um ciclo contínuo de inovação, já que ninguém quer chegar perante o diretor-executivo com um trabalho incompleto.
O conceito foi inspirado num conselho que Musk recebeu de Steve Jobs, após a venda do PayPal e a entrada na indústria automóvel. Jobs teria dito que, para triunfar no negócio de hardware, era essencial entregar um produto perfeito, capaz de “vender-se sozinho” pela qualidade e pelo design.
Resultados na Tesla e na GM
Na Tesla, a abordagem ajudou a criar funcionalidades que surpreendem, como o “Emissions Testing Mode”, que reproduz sons de flatulência através dos altifalantes. McNeil destaca que o objetivo era provocar “encanto e diversão” ao utilizador, sem comprometer a simplicidade: qualquer função deveria estar acessível em no máximo dois toques no ecrã.
Após sair da Tesla em 2018, McNeil passou a integrar o conselho da GM em 2022. Desde então, a fabricante norte-americana adotou as mesmas revisões semanais de produto, agora supervisionadas pela presidente-executiva Mary Barra e pelo presidente Mark Reuss. Segundo McNeil, o processo já resultou no lançamento de 17 modelos totalmente elétricos, colocando a GM na segunda posição de vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos, atrás apenas da Tesla.
Cultura de inovação sustentada
Para McNeil, a chave do método está na disciplina. “Quando se apresenta o produto real todas as semanas, a cultura de excelência torna-se auto-reforçada”, afirmou. A prática eliminaria barreiras entre gestão e equipas técnicas, favorecendo decisões rápidas e atualizações semanais que, acumuladas, aceleram a chegada de novos modelos ao mercado.
