GM amplia parceria com a Redwood Materials para usar baterias de veículos elétricos em armazenamento de energia

A General Motors (GM) e a Redwood Materials anunciaram a expansão de sua cooperação para destinar baterias de veículos elétricos, novas e usadas, a sistemas de armazenamento estacionário de energia. A iniciativa, já em operação no estado de Nevada, consolida a estratégia de ambas as empresas de prolongar a vida útil dos acumuladores antes da reciclagem definitiva e, simultaneamente, atender à crescente demanda por capacidade energética em data centers e na rede elétrica.

Segundo o acordo, a GM enviará à parceira lotes de baterias que foram retiradas de circulação ou que não chegaram a ser instaladas em automóveis. Na planta da Redwood em Sparks, Nevada, as unidades passam por testes que identificam o nível de desempenho remanescente. Quando apresentam condições de uso, são mantidas intactas e agrupadas em módulos capazes de formar grandes “bancos” de energia. Caso não atendam aos requisitos, seguem para desmontagem e reciclagem de materiais como lítio, níquel e cobalto.

O primeiro resultado tangível dessa operação é um microgrid de 12 megawatts instalado no próprio campus da Redwood, em Sparks. A eletricidade armazenada nessa estrutura abastece um data center da Crusoe, localizado nas proximidades e equipado com cerca de 2 000 unidades de processamento gráfico (GPUs). A energia flue de painéis solares para as baterias reaproveitadas e, posteriormente, para os servidores, garantindo fornecimento estável e reduzindo a intermitência típica das fontes renováveis.

A área de armazenamento está acionada desde junho, quando a Redwood oficializou a divisão dedicada a projetos de grande escala. Testes realizados até o momento indicam que muitos conjuntos de células provenientes de frotas elétricas ainda conservam parte significativa de sua capacidade, o que permite estender sua vida útil por anos em aplicações estacionárias. De acordo com dados da empresa, aproximadamente 70 % das baterias usadas ou descartadas nos Estados Unidos já passam pelos seus processos de triagem e reaproveitamento.

A meta declarada pela Redwood é implantar 20 gigawatt-hora (GWh) em armazenamento até 2028. A capacidade de integrar pacotes de diferentes fabricantes e químicas de células é apontada pela companhia como um diferencial competitivo, pois reduz a dependência de um único tipo de módulo e facilita a expansão de projetos em locais com suprimento heterogêneo.

Para a GM, a decisão de encaminhar também baterias novas cria uma válvula de segurança diante da oscilação nas vendas de veículos elétricos. Dados da consultoria Cox Automotive mostram recuo de 6,3 % nas entregas no segundo trimestre deste ano. O mercado, porém, é projetado para registrar aumento momentâneo antes da expiração de créditos fiscais federais em 30 de setembro. Ao direcionar parte dos estoques para o segmento de armazenamento, a montadora evita sobrecarga de inventário e diversifica as fontes de receita.

No sentido oposto, o setor de sistemas estacionários exibe trajetória consistente de expansão. Somente no primeiro trimestre, as novas instalações de armazenamento chegaram a recorde histórico, com alta de 57 % em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo números do mercado. Esse crescimento é impulsionado pela maior participação de energias renováveis, que exigem capacidade de compensar variações na geração ao longo do dia.

A parceria atual não é o primeiro vínculo entre as companhias, mas representa aumento no escopo das atividades conjuntas. Antes concentrada em reciclagem de materiais, a colaboração passa agora a abranger projetos completos de segunda vida para baterias, da seleção à instalação em campo. As empresas não divulgaram o volume total de unidades envolvidas nem o cronograma de entregas futuras, porém indicaram que pretendem replicar o modelo em novos locais à medida que a demanda por infraestrutura energética cresça.

Com a iniciativa, GM e Redwood buscam reforçar a circularidade na cadeia de lítio-íon, diminuir custos de produção e contribuir para metas de redução de emissões. Ao aumentar o aproveitamento das baterias antes da reciclagem, o programa reduz a necessidade de extração de matérias-primas e abre caminho para a criação de um mercado secundário robusto de armazenamento, capaz de apoiar tanto a expansão de data centers quanto a estabilização da rede elétrica.