Gordura de porco cultivada recebe aprovação nos EUA e promete novo fôlego às carnes alternativas

A Mission Barns obteve autorização do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para comercializar gordura de porco cultivada em laboratório, tornando-se a primeira empresa a levar esse ingrediente ao mercado.

Primeiro passo rumo à produção em escala

Com o aval do regulador, a startup pode vender a gordura diretamente ou fornecê-la a fabricantes de alimentos. Segundo a direção da empresa, a decisão “abre caminho” para que parceiros lancem produtos prontos para consumo, agora enriquecidos com gordura de origem celular.

O processo começa com uma pequena amostra retirada de um animal vivo. As células são introduzidas num biorreator desenvolvido pela Mission Barns para evitar que a gordura, mais leve, suba à superfície e fique sem nutrientes. Esse ajuste garante crescimento uniforme e custos inferiores aos da carne muscular cultivada, considerada tecnologicamente mais complexa.

Sabor, custo e perfil nutricional

A empresa combina a gordura cultivada com proteína de ervilha para criar versões de bacon, almôndega e salsicha. Por fornecer sabor natural, o ingrediente permite reduzir aromatizantes artificiais — normalmente caros — e minimizar a necessidade de sal para mascarar o gosto vegetal.

A Mission Barns afirma ainda poder ajustar a dieta das células para modificar o teor de ácidos gordos, incluindo a possibilidade de aumentar a presença de ómega-3. A companhia estuda lançar um concentrado com sabor mais intenso, que exigiria menor quantidade no produto final e poderia oferecer perfil nutricional semelhante ao de peixes gordos.

Próximos passos do mercado

Desde o primeiro hambúrguer cultivado em 2013, o setor busca reduzir custos e ampliar a escala de produção. A facilidade de crescimento da gordura em meio líquido e o impacto direto no sabor colocam o ingrediente da Mission Barns como potencial acelerador para a adoção de carnes alternativas.

Com a certificação do USDA, a empresa concentra-se agora em firmar acordos de fornecimento com outros fabricantes, estratégia que deve representar a maior parte da sua receita a longo prazo.