Indústria de chips nos EUA enfrenta cortes, aquisições e novas restrições em 2025
O ano de 2025 tem sido marcado por mudanças rápidas no mercado norte-americano de semicondutores. Entre reestruturações internas, aquisições estratégicas e novos obstáculos regulatórios, as maiores empresas do setor tentam ajustar-se a uma disputa global por chips de inteligência artificial.
Reestruturações profundas na Intel
A Intel iniciou o ano com a nomeação de Lip-Bu Tan como diretor-executivo, efetiva em 18 de março. Poucas semanas depois, o novo líder anunciou planos para separar unidades consideradas não essenciais e lançar semicondutores personalizados. A estratégia veio acompanhada de cortes substanciais: mais de 21 000 postos de trabalho foram comunicados em abril, seguidos pela redução de 15% a 20% da força na divisão Intel Foundry a partir de julho.
Em 24 de julho, a companhia confirmou a suspensão de projetos de fabrico na Alemanha e Polónia e indicou que fechará 2025 com cerca de 75 000 empregados. Antes disso, em fevereiro, já havia retardado pela segunda vez a construção da sua fábrica no Ohio, agora prevista para 2030, com possível operação apenas em 2031.
AMD e Nvidia reforçam portfólio
A AMD apostou em aquisições para expandir competências em IA. Entre maio e junho, comprou a Enosemi (fotónica de silício), a Brium (otimização de software) e integrou a equipa da Untether AI, dedicada a chips de inferência.
Já a Nvidia enfrentou novas barreiras de exportação. Em abril, o chip H20 passou a exigir licença para venda, gerando encargos de 5,5 mil milhões de dólares no trimestre seguinte. No final de maio, a empresa contabilizou impacto potencial de 8 mil milhões na receita do segundo trimestre. Apesar dos entraves, em 14 de julho apresentou pedido para retomar vendas do H20 na China e anunciou o RTX Pro, concebido para aquele mercado.
Pressão regulatória ganha força
O quadro legal para exportação de chips evoluiu rapidamente. A 13 de janeiro, a administração cessante de Joe Biden propôs um sistema de três níveis que limitava vendas conforme o país de destino. Em fevereiro, senadores de ambos os partidos solicitaram restrições adicionais ao novo governo. O Departamento de Comércio anulou a chamada Regra de Difusão de IA em 13 de maio, prometendo orientações futuras.
Em 23 de julho, a administração Trump apresentou o Plano de Ação para IA, destacando a necessidade de controles de exportação, mas sem detalhar medidas. Paralelamente, a Malásia passou a exigir autorização prévia para reexportar chips norte-americanos, e os Estados Unidos suspenderam temporariamente um acordo que previa a venda de semicondutores Nvidia aos Emirados Árabes Unidos por motivos de segurança nacional.
Perspectiva para o setor
Com demissões em cadeia, aquisições focadas em talento e regulações cada vez mais específicas, 2025 confirma a tensão entre competitividade tecnológica e segurança estratégica. O equilíbrio entre inovação e controlo de exportações continuará a moldar o rumo dos semicondutores norte-americanos nos próximos meses.
