Marca do Fyre Festival é leiloada no eBay por US$ 245,3 mil

São Paulo – Os direitos sobre a marca Fyre Festival, evento musical que ganhou notoriedade mundial por seu fracasso em 2017, foram arrematados em um leilão no eBay por US$ 245.300. O vendedor foi Billy McFarland, empresário condenado por fraudes relacionadas à organização do festival original. A identidade do comprador não foi divulgada, tampouco há informações sobre eventuais planos para utilizar a propriedade intelectual do evento.

Leilão virtual encerra incerteza sobre futuro da marca

No anúncio publicado na plataforma de comércio eletrônico, McFarland afirmou que parte do valor obtido será destinada ao pagamento de restituições. No entanto, ele ainda deve aproximadamente US$ 26 milhões a investidores, fornecedores e participantes prejudicados. O montante arrecadado no eBay representa menos de 1% desse total, indicando impacto limitado sobre o passivo do empresário.

Relembre o desastre de 2017

O Fyre Festival foi apresentado como uma experiência de luxo em uma ilha das Bahamas, com hospedagem em vilas confortáveis, refeições gourmet e shows de artistas de renome. Quando os participantes — em grande parte influenciadores e jovens de alta renda — chegaram ao local, encontraram tendas improvisadas, infraestrutura precária e alimentação básica, simbolizada pelo sanduíche de queijo que viralizou nas redes sociais. O episódio resultou em ação judicial coletiva, investigações criminais e ampla cobertura da mídia.

Em 2018, McFarland foi condenado por crimes financeiros, incluindo fraude eletrônica e emissão de documentos falsos. Ele cumpriu cerca de três anos e meio de prisão federal e recebeu liberdade condicional em 2022. Mesmo sob supervisão judicial, o empresário retornou ao noticiário ao anunciar, no ano passado, uma segunda edição do Fyre Festival.

Segunda tentativa não saiu do papel

O novo evento, batizado de “Fyre Festival II”, foi anunciado para ocorrer no verão de 2024 em Playa del Carmen, México. Ingressos foram oferecidos por valores que variavam de US$ 1.400 a US$ 1,1 milhão. Entretanto, autoridades municipais informaram não haver registro de solicitação de alvará ou qualquer planejamento oficial para a realização do festival. Questionado, McFarland negou irregularidades, mas cancelou a iniciativa poucas semanas depois e declarou a intenção de vender a marca.

Potencial de negócios ainda é incerto

No texto de divulgação do leilão, o empresário destacou que, desde 2017, o nome “Fyre” se tornou um dos mais comentados no universo do entretenimento, citando oportunidades em setores como mídia, moda e produtos de consumo. Ele afirmou haver “caminho claro” para que operadores possam transformar o projeto em uma “força global”. O argumento se apoia na alta visibilidade do fracasso, que originou documentários, podcasts e análises detalhadas sobre a queda do festival.

Especialistas em branding observam que marcas associadas a controvérsias podem, em alguns casos, ser ressignificadas, principalmente quando ganham status de fenômeno cultural. Contudo, qualquer tentativa de reativar o nome Fyre enfrentará o desafio de superar a memória pública do fiasco e os processos pendentes de indenização.

Próximos passos

Até o momento, não há registro de pedido de transferência de propriedade intelectual nos órgãos responsáveis nos Estados Unidos, movimento necessário para formalizar o novo titular da marca. Além disso, não foi informado se o comprador pretende organizar eventos, lançar produtos ou simplesmente manter a posse como ativo intangível.

Enquanto as dúvidas persistem, McFarland permanece legalmente obrigado a direcionar recursos para as vítimas do primeiro festival. A venda no eBay pode sinalizar a busca do empresário por liquidez imediata, mas atende apenas a fração mínima do valor determinado pela Justiça.

Resta acompanhar se o futuro proprietário conseguirá dissociar o nome Fyre do histórico de fraude ou se a marca continuará atrelada ao episódio que se tornou sinônimo de fiasco na indústria do entretenimento.