Microsoft fecha acordo para remover 4,9 milhões de toneladas de carbono com a Vaulted Deep
Redmond, EUA – A Microsoft anunciou a compra de 4,9 milhões de toneladas em créditos de remoção de carbono da startup norte-americana Vaulted Deep, em mais um passo para tentar equilibrar seu balanço de emissões até o fim da década.
O contrato, cujos valores não foram divulgados, tem duração de 12 anos e vigora até 2028. A iniciativa integra a meta estabelecida em 2020 pela companhia de retirar da atmosfera mais gases de efeito estufa do que emite até 2030, tornando-se “carbono negativa”. No entanto, o avanço rápido na construção de centros de dados tem jogado contra esse objetivo: desde o anúncio da promessa, as emissões da empresa cresceram quase 25 %.
Como funciona a tecnologia da Vaulted Deep
A Vaulted Deep opera de forma semelhante a uma petroleira “invertida”. Em vez de extrair combustíveis fósseis, a empresa coleta resíduos sólidos – como lodo de esgoto tratado, excesso de esterco ou rejeitos de papel – que normalmente iriam para aterros ou incineradores. Esse material é transformado em polpa e injetado em rochas porosas a grande profundidade. Os poços são perfurados com técnicas desenvolvidas para o fraturamento hidráulico usado na indústria de petróleo e gás, selando o carbono de forma permanente no subsolo.
Até o momento, a startup afirma ter removido mais de 18 000 toneladas de dióxido de carbono. Finalista do concurso Xprize Carbon, a empresa captou US$ 32 milhões em rodada Série A liderada pela Prelude Ventures em novembro passado.
Pressão crescente sobre o balanço de emissões
Embora invista pesadamente em energia renovável – primeira medida recomendada para reduzir a pegada climática –, a Microsoft enfrenta fontes de emissão difíceis de eliminar, como a fabricação de semicondutores, que ainda não dispõe de alternativas livres de carbono. Em 2023, a companhia reportou 14,9 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, mais que o dobro do volume que espera emitir em 2030.
Para compensar o excedente, a empresa ampliou os investimentos em projetos de remoção de carbono. Além do acordo com a Vaulted Deep, a Microsoft firmou um contrato de 7 milhões de toneladas com a Chestnut Carbon para reflorestar 60 000 acres no sudeste dos Estados Unidos. Outro compromisso, de 3,7 milhões de toneladas, foi firmado com a CO280, que capturará carbono liberado por operações de fábricas de papel na Costa do Golfo.
Objetivo de neutralidade e desafios
A partir de 2030, a Microsoft pretende atingir emissões negativas, o que exige não apenas zerar a liberação de gases, mas também remover quantidades adicionais equivalentes às emissões históricas desde sua fundação, em 1975. Para isso, a estratégia combina redução direta, energia renovável e compras de créditos de alta durabilidade, como o fornecido pela Vaulted Deep, considerado mais robusto que compensações baseadas apenas em projetos florestais.
No entanto, analistas observam que a velocidade de expansão dos serviços de nuvem e inteligência artificial pode elevar ainda mais a pegada de carbono da empresa nos próximos anos, intensificando a dependência de soluções de remoção se as emissões operacionais não caírem no ritmo necessário.
Enquanto isso, a Vaulted Deep busca escalar sua infraestrutura para atender ao aumento de demanda. Os recursos obtidos na rodada de investimentos e em contratos de longo prazo, como o assinado com a Microsoft, devem financiar novos poços e a ampliação da cadeia de coleta de resíduos, fator considerado crucial para que a startup alcance volumes compatíveis com metas corporativas globais.
Com a nova compra, a Microsoft reforça seu portfólio de iniciativas de remoção de carbono, mas permanece sob pressão para demonstrar que tais créditos se traduzem em reduções efetivas e verificáveis, elemento vital para sustentar a credibilidade da meta de neutralidade climática prevista para 2030.

