Netflix adota inteligência artificial generativa em produções e acelera efeitos visuais
A Netflix confirmou o uso de inteligência artificial generativa (GenAI) em conteúdos originais, marcando a primeira vez que imagens finais criadas com essa tecnologia chegam às telas do serviço. O anúncio foi feito na quinta-feira durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre, quando executivos detalharam casos de aplicação da ferramenta em filmes e séries.
O co-CEO Ted Sarandos informou que a plataforma empregou GenAI na série argentina El Atonata para produzir uma cena de colapso de prédio. Segundo o executivo, o trecho foi concluído em um décimo do tempo necessário com métodos tradicionais de efeitos visuais e demandou menor investimento financeiro. A iniciativa envolveu a equipe interna de produção da empresa em parceria com os realizadores do programa.
Durante a chamada, Sarandos destacou que a tecnologia está sendo incorporada a diferentes etapas do processo criativo. Entre os exemplos citados estão pré-visualização, planejamento de cenas e efeitos especiais que antes exigiam orçamentos elevados, como o rejuvenescimento digital de atores. “Ferramentas com IA estão ajudando profissionais reais a fazer o mesmo trabalho com mais eficiência”, afirmou o executivo, reforçando a intenção de melhorar qualidade e produtividade, e não apenas reduzir custos.
O outro co-CEO, Greg Peters, acrescentou que a inteligência artificial generativa também já é utilizada em áreas de personalização de conteúdo, busca e publicidade. A companhia lançou no início do ano um recurso de pesquisa alimentado por IA e pretende disponibilizar anúncios interativos na segunda metade de 2025, explorando algoritmos para tornar campanhas mais direcionadas.
No balanço do segundo trimestre, a Netflix registrou receita de US$ 11,08 bilhões, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, e lucro de US$ 3,13 bilhões. A audiência somada nos seis primeiros meses de 2025 ultrapassou 95 bilhões de horas assistidas, com títulos em idiomas diferentes do inglês respondendo por um terço desse total.
Os executivos afirmaram que o avanço da GenAI nos fluxos de produção acompanha investimentos na própria infraestrutura tecnológica do serviço de streaming. Conforme Sarandos, a empresa avalia continuamente novos modelos de IA para acelerar etapas de pós-produção, ampliar opções de design e oferecer ferramentas de edição mais sofisticadas a criadores independentes e grandes estúdios.
Peters observou que a adoção de GenAI faz parte de um esforço mais amplo para ampliar a experiência do usuário. Algoritmos de recomendação e sistemas de busca, por exemplo, estão sendo retrabalhados para interpretar comandos de linguagem natural com maior precisão, permitindo que assinantes encontrem filmes ou séries por descrições informais, temas ou emoções desejadas.
Em relação à publicidade, a companhia planeja aplicar recursos generativos para criar peças adaptadas ao perfil individual de cada espectador. A proposta é combinar dados de comportamento de consumo com modelos de IA que montem anúncios em tempo real, alterando linguagem, produtos exibidos ou duração conforme o público-alvo. A expectativa, segundo Peters, é iniciar testes globais nos próximos meses.
Questionados sobre possíveis impactos na força de trabalho, os executivos disseram ver a inteligência artificial como complemento às competências humanas, especialmente em tarefas repetitivas ou de alto custo computacional. Sarandos ressaltou que diretores, roteiristas e artistas continuam no centro das decisões criativas, enquanto a tecnologia atua como ferramenta de apoio.
Com o uso de GenAI, a Netflix busca manter vantagem competitiva em um mercado cada vez mais disputado, em que prazos de produção menores e controle de gastos se tornam fatores estratégicos. A empresa indicou que continuará divulgando resultados de experimentos e ampliando parcerias com produtores para integrar novas aplicações de IA nas próximas obras originais.

