Nvidia confirma retomada das vendas de chips H20 na China e reforça compromisso com o mercado local
O diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, afirmou nesta quarta-feira, 16 de julho de 2025, em Pequim, que a companhia “está fazendo todo o possível” para manter o fluxo de semicondutores para a China, segundo maior mercado global do setor. A declaração foi dada durante o Fórum Internacional da China sobre Cadeias de Suprimentos, encontro voltado a discutir comércio internacional e integração produtiva.
Em conversa com jornalistas, Huang relatou ter recebido das autoridades chinesas a garantia de um ambiente “aberto e estável” para empresas estrangeiras. De acordo com o executivo, a Nvidia pretende ampliar a oferta de componentes em território chinês para uma variedade de aplicações, que vão de smartphones e data centers a veículos elétricos.
O principal anúncio foi a autorização, já confirmada pelo governo dos Estados Unidos, para retomar as exportações do chip H20, desenvolvido especificamente para inteligência artificial (IA) e adaptado às regras de controle impostas por Washington. A venda desse modelo havia sido suspensa após o endurecimento das licenças de exportação em abril, dentro das restrições destinadas a limitar o acesso de Pequim às GPUs mais avançadas.
As novas remessas do H20 marcam a primeira liberação de um produto voltado a IA desde que a administração norte-americana determinou regras mais rígidas para o fornecimento de processadores de alto desempenho à China. Os controles continuam impedindo a exportação dos chips de ponta da Nvidia, mas permitem variantes com desempenho ajustado, caso do H20, projetadas para atender ao consumo interno chinês sem contrariar as restrições de segurança dos EUA.
Huang destacou que a inteligência artificial “transforma todas as indústrias”, citando pesquisa científica, saúde, energia, transporte e logística como áreas diretamente impactadas. Para o executivo, a China desempenha papel central no avanço dessa tecnologia, sobretudo pela velocidade de inovação observada no desenvolvimento de modelos de código aberto. Ele mencionou o DeepSeek, sistema apresentado no início do ano por empresas chinesas, como exemplo de software comparável aos modelos americanos, embora construído com peças menos sofisticadas.
O fórum em Pequim também serviu de palco para manifestações do governo chinês contra o que chama de “politização” do comércio global. O vice-primeiro-ministro He Lifeng criticou a adoção de tarifas e outras barreiras por parte de alguns países, sem citar diretamente os Estados Unidos, e defendeu a construção de “consenso compartilhado” para o desenvolvimento econômico.
A Nvidia ganhou projeção adicional no evento após superar, nesta semana, a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado, tornando-se a primeira empresa dos Estados Unidos a atingir essa capitalização. O desempenho na bolsa reflete a forte demanda por processadores gráficos voltados a IA, segmento no qual a companhia californiana detém liderança tecnológica.
Apesar do crescimento, as relações entre Washington e Pequim seguem influenciando as operações da empresa. As autoridades americanas expressam preocupação quanto ao possível uso de chips avançados no aprimoramento de capacidades militares chinesas, razão pela qual modelos topo de linha permanecem proibidos de cruzar a fronteira. Em resposta, a Nvidia tem concebido versões específicas, como o H20, cuja performance se enquadra nos limites regulamentares, mas ainda atende à procura de grandes centros de dados e empresas locais.
Questionado sobre a continuidade dos investimentos, Huang reiterou que a Nvidia manterá centros de pesquisa, equipes de engenharia e suporte comercial na China. O executivo não detalhou volume nem cronograma de novos aportes, mas reforçou que a escala do mercado justifica a presença da companhia, mesmo sob regras de exportação mais estritas.
Com a liberação dos H20, os próximos passos incluem o envio dos primeiros lotes a fabricantes e provedores de nuvem chineses. A empresa avalia, ainda, possíveis ajustes em seus futuros lançamentos para garantir aderência às normas dos Estados Unidos, enquanto tenta preservar a competitividade da linha de produtos destinada ao país asiático.

