OpenEvidence Inc. anunciou uma nova ronda de financiamento de 210 milhões de dólares que eleva a avaliação da empresa para 3,5 mil milhões de dólares. O montante será direcionado à expansão de parcerias estratégicas e ao reforço das ferramentas de pesquisa e apoio à decisão clínica baseadas em inteligência artificial.
Plataforma foca decisões em tempo real
Fundada em 2021, a OpenEvidence desenvolve uma interface de pesquisa alimentada por IA que reúne literatura médica revista por pares para apresentar respostas em segundos. A solução foi criada para situações de elevada pressão, nas quais médicos precisam tomar decisões críticas em menos de um minuto.
O sistema recorre a artigos de publicações como o Journal of the American Medical Association e o New England Journal of Medicine, entre outros periódicos de referência. A empresa mantém acordos formais com essas editoras, garantindo acesso ao texto integral e atualizado dos estudos. De acordo com a OpenEvidence, esse modelo evita que os profissionais recebam apenas resumos gerados por IA e assegura a consulta de evidências validadas.
Além das fontes científicas, a plataforma cumpre os requisitos da Health Insurance Portability and Accountability Act (HIPAA), normativa que regula privacidade e segurança de dados de saúde nos Estados Unidos. A conformidade é apontada pela companhia como essencial para uso no ambiente clínico.
Presença em grande parte do sistema de saúde norte-americano
Segundo dados divulgados, a tecnologia já está implementada em mais de 10 000 hospitais e centros médicos dos EUA, abrangendo mais de 40 % dos médicos do país. A utilização cresce à medida que as instituições procuram reduzir o tempo gasto em buscas tradicionais e minimizar erros associados a decisões sem base em evidências recentes.
O fundador e presidente-executivo, Daniel Nadler, destacou o contexto de escassez de profissionais previsto para a próxima década. Estimativas apontam para um défice de cerca de 100 000 médicos até 2030 nos Estados Unidos. Nesse cenário, afirma ele, soluções de IA podem aliviar a sobrecarga, permitindo que clínicos foquem o atendimento direto ao paciente.
Investimento liderado por nomes de peso
A série B contou com a liderança conjunta da Google Ventures e da Kleiner Perkins Caufield & Byers. Participaram ainda Sequoia Capital, Coatue Management, Conviction Capital e Thrive Capital. Os recursos vão financiar a contratação de novos talentos em ciência de dados, a expansão da infraestrutura em nuvem e a formalização de acordos com outras editoras médicas.
Parte do capital será aplicada em iniciativas de adoção internacional. Embora concentrada no mercado norte-americano, a empresa avalia parcerias em regiões onde a literatura local exija integração com diretrizes nacionais específicas. O objetivo é adaptar o algoritmo a diferentes protocolos clínicos sem comprometer a rapidez na entrega de resultados.
Lançamento do DeepConsult amplia alcance da IA
Juntamente com o anúncio de financiamento, a OpenEvidence apresentou o DeepConsult, agente de IA orientado a médicos que funciona como uma “equipa privada” de especialistas de nível doutoral. O recurso elabora análises aprofundadas enquanto o médico realiza outras tarefas, permitindo a revisão de evidências complexas sem interrupção da agenda.
De acordo com a empresa, o DeepConsult será disponibilizado de forma ampla nas próximas semanas. A ferramenta destina-se a casos em que o clínico necessita de pesquisas extensas sobre terapias ou diagnósticos raros. Quando o profissional regressa, encontra sínteses completas com referências e potenciais planos de tratamento alinhados às últimas descobertas.

Imagem: siliconangle.com
Funcionalidades principais da solução
Pesquisa em linguagem natural: os utilizadores inserem perguntas específicas sobre condições, medicação ou fatores de risco e obtêm respostas com citações diretas da fonte.
Atualização contínua: graças aos acordos com editoras, novos artigos são integrados assim que publicados, reduzindo o hiato entre descoberta científica e prática clínica.
Segurança de dados: o motor cumpre as exigências de privacidade impostas por leis de saúde, incluindo criptografia de ponta a ponta e controle de acesso granular.
Integração com sistemas hospitalares: APIs permitem incorporar os resultados da IA em registos eletrónicos de saúde, facilitando o fluxo de trabalho.
Próximos passos
Com o capital recém-obtido, a empresa planeia duplicar o número de parcerias editoriais até ao final de 2026, além de estender a cobertura a especialidades médicas menos representadas, como psiquiatria e medicina tropical. A OpenEvidence pretende ainda investir em certificações internacionais de privacidade para acelerar a entrada em mercados da Europa e da Ásia-Pacífico.
No curto prazo, a prioridade será escalar a infraestrutura responsável pelo processamento de linguagem natural. Segundo a direção, o aumento de utilizadores registado nos últimos trimestres exige camadas adicionais de redundância para manter respostas em tempo real, mesmo em picos de acessos.
Para os investidores, o diferencial competitivo está na combinação de IA avançada com conteúdo clínico verificado. Ao reduzir o tempo de pesquisa e oferecer confiança na fonte, a plataforma posiciona-se como ferramenta de suporte que pode melhorar a segurança do paciente e otimizar rotinas hospitalares.




