Ordem executiva de Trump impede governo dos EUA de contratar IA considerada “woke”
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quarta-feira uma ordem executiva que proíbe órgãos federais de adquirir sistemas de inteligência artificial classificados como “woke” ou ideologicamente enviesados. A medida determina que apenas modelos considerados neutros, focados em “verdade, justiça e imparcialidade rigorosa”, possam ser adquiridos com recursos públicos.
Alvos da proibição e orientações aos órgãos federais
O documento cita expressamente conceitos associados a diversidade, equidade e inclusão (DEI), críticas à teoria racial crítica, interseccionalidade, transfobia e alegado “racismo sistémico” como exemplos de conteúdos que, segundo a Casa Branca, distorcem a precisão das respostas fornecidas por modelos de linguagem.
A ordem instrui o diretor do Office of Management and Budget, o administrador da Federal Procurement Policy, o administrador da General Services Administration e o diretor do Office of Science and Technology Policy a emitirem diretrizes sobre como os restantes órgãos deverão cumprir as novas regras.
Mudança de prioridades na estratégia nacional de IA
No mesmo dia, o governo divulgou o “AI Action Plan”, que desloca o foco federal de riscos sociais para a expansão de infra-estrutura, desburocratização de licenças, fortalecimento da segurança nacional e competição tecnológica com a China. O anúncio ocorre em meio a contratos recém-assinados pelo Departamento de Defesa com OpenAI, Anthropic, Google e xAI, que podem chegar a 200 milhões de dólares por empresa para desenvolver aplicações de IA em missões críticas.
Impacto potencial no setor tecnológico
Especialistas ouvidos por organizações independentes alertam para possíveis efeitos de autocensura entre desenvolvedores, que poderiam adaptar dados de treino e respostas dos modelos para se alinharem às diretrizes federais e, assim, garantir contratos. Académicos observam, ainda, que a definição de “neutralidade” permanece ampla e sujeita a interpretações políticas, o que pode dificultar a aplicação uniforme da medida.
A nova política também levanta dúvidas sobre a posição de empresas já acusadas de enviesamento. A xAI, de Elon Musk, vem promovendo o chatbot Grok como “anti-woke” e recentemente foi incluída no catálogo de compras do governo. Entretanto, o modelo foi criticado por publicações antissemitas e racistas, o que reacende o debate sobre qual parâmetro será usado para definir imparcialidade.
A Casa Branca não especificou sanções para fornecedores que descumpram a ordem, mas o texto indica que futuras compras federais estarão condicionadas ao atendimento dos critérios de neutralidade ideológica estabelecidos.
