Pesquisadores desenvolvem menor QR Code do mundo com durabilidade milenar

Uma colaboração entre cientistas da Universidade Técnica de Viena (TU Wien) e a empresa Cerabyte resultou na criação do menor QR Code já registrado na história. A marca, oficializada pelo Guinness World Records em dezembro de 2025 na Áustria, apresenta uma estrutura microscópica de apenas 1,977 micrômetros quadrados, dimensão inferior ao tamanho da maioria das bactérias conhecidas. De acordo com informações da Record, a nova tecnologia supera o recorde anterior em 37% e representa um salto significativo no campo do armazenamento de dados de alta densidade.

A visibilidade deste código é inexistente a olho nu ou mesmo através de microscópios ópticos convencionais. Para a decodificação da imagem, é necessário o uso de um microscópio eletrônico de varredura (MEV), que utiliza elétrons em vez de luz para formar imagens. O diferencial técnico do projeto reside no material utilizado para a gravação: o nitreto de cromo. Trata-se de uma cerâmica de alta estabilidade, comumente aplicada em revestimentos de ferramentas industriais, que permite a preservação de informações por séculos ou até milênios sem a necessidade de qualquer fornecimento de energia elétrica.

O processo de fabricação empregou feixes de íons focalizados, técnica que dispara íons de gálio com precisão extrema sobre a superfície cerâmica. Esse método remove o material de forma atômica, esculpindo o padrão do QR Code com pixels de meros 49 nanômetros. Como a luz visível oscila em uma faixa entre 400 e 700 nanômetros, os pixels individuais ficam abaixo do limite de detecção óptica, tornando o código invisível sob condições normais de iluminação.

Apesar da escala nanométrica, o funcionamento segue a lógica matemática dos códigos bidimensionais tradicionais. A grade de quadrados armazena caracteres e instruções através de arranjos únicos, onde três quadrados maiores nos cantos indicam ao leitor o início, a orientação e a escala da imagem. Uma das vantagens intrínsecas dessa tecnologia é a resiliência do formato QR, que permite a leitura integral dos dados mesmo que até 30% da área do código sofra algum tipo de degradação física.

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Imagem: Divulgação

O professor Paul Mayrhofer, do Instituto de Ciência dos Materiais da TU Wien, destacou que o objetivo era criar um código que fosse não apenas reduzido, mas estável e passível de leitura repetida ao longo do tempo. Alexander Kirnbauer, pesquisador que integra a equipe, comparou a abordagem às inscrições de civilizações antigas, que sobrevivem até hoje devido à durabilidade do suporte físico escolhido. Em termos de potencial de armazenamento, os pesquisadores estimam que a técnica permita guardar mais de dois terabytes de dados em uma superfície equivalente a uma folha de papel A4.





Além da densidade e longevidade, a inovação apresenta vantagens ambientais. Ao contrário dos sistemas de armazenamento digitais convencionais, como discos rígidos e servidores de nuvem, a cerâmica não exige refrigeração constante ou manutenção elétrica para manter os dados íntegros. O projeto agora entra em uma fase voltada para o escalonamento industrial, com planos de aumentar a velocidade de gravação e explorar novos materiais para aplicações comerciais em larga escala.

Com informações de Mundoconectado

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