Pronto.ai compra SafeAI e fortalece oferta de veículos autônomos para mineração e construção
A Pronto.ai, startup sediada em São Francisco que desenvolve sistemas de direção autônoma para caminhões fora de estrada em canteiros de obras e minas, anunciou a aquisição da concorrente SafeAI. O valor da transação não foi divulgado, mas fonte próxima ao negócio indicou que a compra ficou na casa dos milhões de dólares. Com o acordo, a maior parte dos 12 engenheiros da SafeAI e toda a propriedade intelectual da empresa passam a integrar a Pronto.
O presidente-executivo da Pronto.ai, Anthony Levandowski, classificou a operação como estratégica para ampliar equipe e tecnologia em um mercado enxuto. Segundo ele, apenas Pronto e SafeAI disputavam o segmento de sistemas autônomos de transporte de minério. “Precisávamos de mais pessoas e recursos; fazia sentido unir forças e acelerar o crescimento”, afirmou.
Reforço de pessoal e alcance global
Antes da compra, a Pronto mantinha cerca de 40 colaboradores. A incorporação eleva a capacidade de atendimento e abre caminho para novos contratos fora dos Estados Unidos. A empresa já atua em parceria com a Heidelberg Materials North America, uma das maiores produtoras de cimento do mundo. Após projeto-piloto na pedreira Bridgeport, no Texas, a tecnologia passou a equipar caminhões Komatsu que operam de forma autônoma no local.
No início deste ano, a aliança com a Heidelberg foi estendida para o fornecimento de mais de 100 veículos autônomos e para a expansão da equipe da Pronto no Brasil. Com a absorção da SafeAI, a companhia pretende oferecer soluções que atendam desde pequenas pedreiras até grandes operações de mineração, adaptando-se a diferentes escalas e requisitos de segurança.
Portfólio com níveis de tecnologia distintos
Historicamente, a Pronto.ai adotou uma abordagem baseada apenas em câmeras para percepção do ambiente. Já a SafeAI, fundada em 2017, combinava múltiplos sensores — câmeras, radares e lidars — e desenvolveu um framework de segurança certificado no nível ASIL D, o mais alto da indústria automotiva. A partir da integração, clientes poderão escolher entre o sistema exclusivamente por câmeras ou a alternativa multissensor, agora incorporada ao portfólio.
Essa oferta “escalonada” permite adequar custo e complexidade ao perfil de cada operação. Em locais com menor tráfego ou rotas previsíveis, o modelo por câmeras pode ser suficiente; em ambientes mais dinâmicos, o pacote com radar e lidar garante redundância adicional. A certificação ASIL D da SafeAI também reforça a conformidade com normas de segurança exigidas por grandes mineradoras.
Infraestrutura de comunicação própria
Além dos sensores embarcados, a Pronto.ai utiliza a rede Pollen Mobile, criada pela própria empresa em 2022. A plataforma peer-to-peer permite troca de dados em alta velocidade sem depender de operadoras tradicionais, recurso útil em regiões remotas com cobertura limitada. A combinação entre direção autônoma e conectividade dedicada é considerada diferencial competitivo, sobretudo em minas a céu aberto localizadas longe de centros urbanos.
Panorama financeiro e de mercado
A SafeAI havia captado US$ 38 milhões em rodada Série B há três anos. Mesmo assim, optou pela venda diante da consolidação do setor e da necessidade de escala. Levandowski não divulgou metas de faturamento para 2024, mas ressaltou que a ampliação de equipe e portfólio deve acelerar a implantação de frotas automatizadas em vários continentes.
O executivo avalia que o segmento de caminhões fora de estrada autônomos amadurece em ritmo diferente do mercado de veículos de passeio, pois enfrenta menos variáveis de trânsito e regulamentação. Por outro lado, exige robustez para operar em terrenos acidentados e em condições climáticas adversas. Segundo a empresa, a união com a SafeAI reduz a sobreposição de esforços e concentra investimentos em pesquisa de percepção, planejamento de rotas e integração com diferentes marcas de caminhões.
Com o fechamento da aquisição, a Pronto.ai passa a deter uma equipe ampliada de especialistas que combinam experiência em inteligência artificial, sistemas veiculares e processos de mineração — combinação considerada rara pelo setor. Essa base de talentos deve sustentar novos contratos e consolidar a presença da companhia em um ramo que demanda alta confiabilidade operacional e ganhos de produtividade.
O foco agora, de acordo com a direção da empresa, é concluir a transição dos funcionários, integrar as plataformas de software e iniciar testes conjuntos nos clientes atuais. A expectativa é que as primeiras implantações com tecnologia multissensor ocorram ainda este ano, marcando o próximo passo da automação em ambientes de mineração e construção pesada.

