Profissionais de Propriedade Intelectual ainda hesitam em adotar IA, mesmo sob forte pressão por resultados, indica relatório

São Paulo – Um estudo realizado pela provedora de serviços linguísticos e de tecnologia RWS revela que a maioria dos profissionais de Propriedade Intelectual (PI) sente cobrança crescente para aumentar receitas e reduzir custos, mas adota a Inteligência Artificial (IA) de forma tímida. O levantamento, intitulado “Why it’s time for IP to think bigger with AI”, ouviu 312 especialistas de escritórios de advocacia e departamentos corporativos em 33 países.

Segundo o relatório, 80% dos respondentes afirmam enfrentar maior pressão para entregar resultados financeiros, enquanto 79% apontam preocupações com precisão e confiabilidade dos sistemas como a principal barreira à adoção de IA. Em segundo lugar aparecem questões de segurança e proteção de dados, citadas por 62% dos participantes.

Os dados indicam que apenas 34% dos profissionais entrevistados utilizam a tecnologia de forma operacional ou regular em suas rotinas. Entre as aplicações mais comuns surgem a tradução automática pronta para depósito de patentes, a elaboração inicial de pedidos, a otimização de bancos de dados de patentes e o acompanhamento de processos de patente e marca.

A pesquisa mostra ainda que 8% dos consultados não têm interesse nem planos de empregar IA em atividades de PI. Para os que cogitam adotar a tecnologia, os principais benefícios esperados concentram-se em eficiência, automação de tarefas repetitivas e ganho de produtividade.

James Lacey, vice-presidente sênior da RWS, observa no documento que o setor opta por uma postura prudente diante das novas ferramentas, embora exista consenso de que a combinação entre IA e conhecimento humano possua potencial para redefinir a forma de atuação dos escritórios e departamentos especializados.

A análise detalha que, mesmo entre os profissionais que já utilizam IA, a adoção ocorre de maneira gradativa e limitada a processos bem definidos. Tradutores de patentes, por exemplo, recorrem a modelos de linguagem treinados especificamente para terminologia técnica, enquanto advogados de contencioso empregam algoritmos na triagem de documentos ou na pesquisa em bases de decisão. Em ambos os casos, a supervisão de especialistas permanece imprescindível para validar resultados e garantir conformidade regulatória.

O relatório também avalia os fatores externos que influenciam o ritmo de uso da tecnologia. De acordo com os entrevistados, a evolução dos requisitos de privacidade de dados e as orientações de órgãos de registro podem acelerar ou frear investimentos em IA. Além disso, a escassez de profissionais com habilidades em ciência de dados dentro dos departamentos de PI é apontada como obstáculo adicional.

Apesar da cautela, o estudo conclui que a pressão por competitividade deve manter a inteligência artificial no radar das equipes de Propriedade Intelectual. A expectativa dos respondentes é que, à medida que ferramentas mais precisas e seguras se tornem disponíveis, tarefas como análise de portfólios, detecção de infrações e monitoramento de ativos passem a ser parcialmente automatizadas.

No curto prazo, os autores do levantamento identificam três frentes prioritárias para ampliar o uso da tecnologia: integração de IA a plataformas já consolidadas de busca e exame, revisão de políticas internas de segurança da informação e capacitação contínua das equipes. Segundo eles, a colaboração entre provedores de soluções, escritórios especializados e departamentos jurídicos corporativos será decisiva para tornar esses ganhos escaláveis.

Enquanto a adoção plena ainda não se concretiza, o relatório sugere que profissionais de PI mantenham iniciativas-piloto que combinem testes controlados de IA com medição de retorno sobre investimento. A abordagem gradual, conclui o documento, tende a reduzir riscos de conformidade e a criar confiança na capacidade dos algoritmos de entregar resultados consistentes.