Rocket Lab recorre a manobra náutica para levar o foguetão Neutron à plataforma na Virgínia
Rocket Lab solicitou autorização para usar uma técnica de navegação pouco comum, chamada “kedging”, a fim de transportar as estruturas do novo foguetão Neutron até ao espaçoporto de Wallops Island, na Virgínia. O pedido surge enquanto a empresa aguarda luz verde federal para dragar um canal permanente que permita passagem regular de barcaças.
Acesso limitado a Wallops Island
O Neutron será lançado a partir do Mid-Atlantic Regional Spaceport (MARS), localizado em Wallops Island, onde a Rocket Lab já opera o foguetão mais pequeno Electron. Contudo, o acesso marítimo à ilha depende do canal raso Sloop Gut, intransitável para cargas de grande dimensão durante marés desfavoráveis.
Em março, a empresa apresentou à Virginia Marine Resources Commission (VMRC) um projeto para dragar cerca de 1,6 km desse canal, investimento estimado em mais de 5 milhões de dólares. O plano recebeu aval estadual em maio, mas ainda carece de aprovação do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, adiando o início das obras.
Kedging como solução temporária
Para cumprir o calendário de entregas que começa em setembro, a Rocket Lab e a Autoridade Portuária da Virgínia pedem permissão para aplicar o kedging em cinco viagens iniciais. A manobra consiste em posicionar âncoras à frente da barcaça e usar cabos para a guiar lentamente através das águas rasas.
O requerimento estabelece o uso do método até junho de 2026 ou até que o canal dragado esteja concluído, o que ocorrer primeiro. Caso o pedido seja recusado, a empresa admite recorrer a desembarques provisórios na praia com rampas e gruas, solução limitada por restrições sazonais entre 15 de março e 31 de agosto.
Impacto no calendário de lançamento
A Rocket Lab pretende realizar o voo de teste inaugural do Neutron na segunda metade de 2025. Antes disso, precisa transportar os estágios do foguetão, proceder à montagem, executar ensaios de abastecimento e obter licença de lançamento da Administração Federal de Aviação. A logística marítima, e não a produção do hardware, é apontada como o principal fator de risco para cumprir o cronograma.
Com milhões já investidos em infraestruturas no espaçoporto, a empresa aguarda a decisão dos reguladores para começar a lançar âncoras — e, em seguida, foguetes — a partir da costa da Virgínia.
