Departamento de Justiça dos EUA analisa compra da Moveworks pela ServiceNow por possíveis impactos concorrenciais
A aquisição da startup de inteligência artificial corporativa Moveworks pela ServiceNow está sob análise do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) por potenciais efeitos antitruste. A investigação, iniciada em junho, recebeu uma second request — solicitação formal de documentação complementar — que precisa ser atendida antes que a transação possa avançar.
A ServiceNow divulgou a intenção de comprar a Moveworks em março por US$ 2,85 bilhões. Na ocasião, a empresa previu concluir o negócio na segunda metade de 2025, dependendo do aval regulatório. O novo exame antitruste pode, porém, prolongar ou alterar esse cronograma.
A second request é um procedimento comum em análises de fusões nos Estados Unidos quando as autoridades consideram necessário aprofundar a avaliação sobre possíveis efeitos na competição. Esse passo exige que as companhias apresentem informações detalhadas sobre mercado, clientes, estratégias de preços e outros dados relevantes, permitindo ao DoJ medir se a união poderia reduzir a rivalidade ou criar barreiras a novos entrantes.
Moveworks, sediada na Califórnia, desenvolve uma plataforma baseada em inteligência artificial generativa voltada à automação de suporte interno em empresas. Seus produtos atendem principalmente a setores de TI, RH e finanças, oferecendo respostas automatizadas a solicitações de funcionários e integração com diferentes sistemas corporativos. Já a ServiceNow, também californiana, fornece soluções de workflows digitais amplamente utilizadas por companhias de grande porte para gerenciar serviços, operações e experiências de funcionários.
A eventual combinação das ofertas pode fortalecer a posição da ServiceNow em aplicações de IA para o ambiente corporativo. Ainda assim, o DoJ investiga se a fusão poderia concentrar participação de mercado em segmentos específicos, dificultar a concorrência de fornecedores menores ou limitar opções de clientes que dependem de ferramentas de automação com recursos de linguagem natural.
Fontes próximas ao processo apontam que a revisão ocorre em um cenário de maior atenção das autoridades americanas a negócios envolvendo tecnologias de inteligência artificial. Reguladores têm manifestado preocupação de que a consolidação excessiva nesse campo concentre dados, talentos e poder computacional, fatores considerados essenciais para o desenvolvimento de modelos avançados de IA.
Embora o valor de US$ 2,85 bilhões represente um montante relevante, a transação não se enquadra entre as maiores aquisições do setor de software corporativo. Ainda assim, a importância estratégica do segmento de IA generativa motivou o DoJ a solicitar análises adicionais. Caso o órgão conclua que o negócio ameaça a competição, poderá propor restrições, obrigações de desinvestimento ou, em último caso, tentar bloquear o acordo nos tribunais.
A Moveworks informou que não comentará o assunto. Até o momento, a ServiceNow não se pronunciou publicamente sobre o andamento da investigação nem sobre ajustes no cronograma de fechamento. Normalmente, companhias nessa situação evitam divulgar detalhes enquanto interagem com reguladores para fornecer a documentação requerida.
Analistas de mercado observam que um exame antitruste não necessariamente inviabiliza a operação, mas pode prolongar a fase de aprovação em vários meses. O envio de respostas à second request costuma demandar custos adicionais e mobilizar equipes jurídicas e técnicas, além de obrigar as empresas a estabelecer planos de integração paralelos aos trâmites regulatórios.
Se aprovada, a aquisição permitirá à ServiceNow incorporar a tecnologia de linguagem natural da Moveworks em seu portfólio de plataformas de fluxo de trabalho. A empresa espera ampliar capacidades de automação de atendimento interno, reduzindo tempo de resposta a solicitações de funcionários e otimizando processos de negócios. Para a Moveworks, o acordo oferece acesso à base de clientes e à estrutura de vendas globais da futura controladora.
A investigação ocorre em um momento de intensa atividade de fusões e aquisições no setor de tecnologia empresarial, impulsionada pela corrida para integrar IA generativa a produtos de software estabelecidos. Regulações mais rigorosas podem influenciar decisões estratégicas de companhias que buscam crescer por meio de compras de startups especializadas.
Não há prazo definido para a conclusão da análise do DoJ. Enquanto isso, ambas as empresas devem continuar operando de forma independente. No calendário original divulgado em março, a expectativa era finalizar a transação até dezembro de 2025. O resultado da investigação determinará se esse objetivo permanece factível ou sofrerá alterações.

