Jovem é indiciado em Confresa (MT) por criar e divulgar imagens íntimas falsas de adolescente
A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou um rapaz de 24 anos sob acusação de produzir e compartilhar montagens pornográficas envolvendo uma adolescente de 15 anos em Confresa, município localizado a 1.160 quilômetros de Cuiabá. O inquérito concluiu que o investigado usou programas de inteligência artificial baseados na técnica conhecida como deepfake, capaz de alterar fotos e vídeos para simular cenas que nunca ocorreram.
Segundo os responsáveis pela investigação, o material manipulado tinha como objetivo expor e constranger a jovem. Além da produção e distribuição das imagens, o indiciado também monitorava locais frequentados pela vítima, o que, para a polícia, reforça a intenção de assediar e intimidar a menor.
O caso veio à tona em fevereiro deste ano, quando a Delegacia de Confresa cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do suspeito. Durante a ação, foram recolhidos telefones celulares, dispositivos de armazenamento de dados e documentos impressos. A perícia feita nesses equipamentos identificou arquivos relacionados à criação dos conteúdos falsos e mensagens direcionadas ao padrasto da adolescente.
De acordo com o laudo técnico, os programas encontrados nos aparelhos permitem sobrepor o rosto de uma pessoa ao corpo de outra, gerando imagens de nudez que aparentam ser autênticas. O chefe da investigação informou que a análise pericial confirmou o uso desse recurso digital na confecção dos arquivos, descartando a possibilidade de mero compartilhamento de material produzido por terceiros.
Os investigadores também verificaram registros de geolocalização e histórico de navegação, indicando que o indiciado buscava informações sobre rotinas e lugares visitados pela adolescente. Para a polícia, esse comportamento configurou vigilância não autorizada e contribuiu para o indiciamento.
A adolescente e familiares prestaram depoimento logo após o início do inquérito. Segundo relato da vítima, as imagens começaram a circular em grupos de mensagens e redes sociais, gerando repercussão em ambiente escolar e entre conhecidos. A família procurou a delegacia assim que tomou conhecimento do conteúdo.
No decorrer da investigação, os agentes pediram à Justiça autorização para acessar conversas, dados de localização e arquivos armazenados em nuvem. O material recolhido passou por perícia digital, que corroborou a autoria das montagens e apontou métodos utilizados para disseminar os arquivos, entre eles aplicativos de mensagens instantâneas e perfis falsos em redes sociais.
A Polícia Civil destacou que o emprego de deepfake em crimes de exposição íntima representa novo desafio para as autoridades, pois a tecnologia torna difícil detectar a adulteração a olho nu. Ferramentas especializadas de perícia foram necessárias para identificar inconsistências na iluminação, nos contornos faciais e em metadados dos arquivos.
O suspeito responde em liberdade e foi indiciado pelos crimes de produção de pornografia infantil, divulgação de cena de nudez envolvendo menor de idade e perseguição. Caso condenado, pode cumprir pena de reclusão e pagamento de multa, conforme prevê a legislação brasileira, incluindo o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei 14.132/2021, que tipifica o crime de perseguição.
Concluído o relatório policial, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, responsável por analisar a denúncia e, se entender cabível, oferecer ação penal. A defesa do investigado ainda não se manifestou sobre o teor do indiciamento.
O crime de deepfake relacionado a nudez de menores é considerado agravado, pois envolve vítima com menos de 18 anos. A Delegacia de Confresa informou que continuará monitorando possíveis desdobramentos, inclusive a circulação residual das imagens em plataformas digitais, e orientou a população a denunciar casos semelhantes.

