Tesla vê lucro cair 16% com queda nas vendas de veículos elétricos

Fremont, 24 de julho de 2025 — A Tesla divulgou resultados financeiros do segundo trimestre que apontam recuo no volume de vendas e no lucro, apesar de leve recuperação face aos primeiros três meses do ano.

Receita encolhe 12% e lucro operacional desaba

A fabricante de veículos elétricos faturou 22,5 mil milhões de dólares entre abril e junho, menos 12 % do que no mesmo período de 2024. O valor superou, ainda assim, os 19,3 mil milhões registados no primeiro trimestre e ficou ligeiramente acima das previsões de mercado, que apontavam para 22,13 mil milhões.

O lucro líquido atingiu 1,17 mil milhões de dólares, queda de 16 % em base anual. O resultado operacional apresentou recuo mais acentuado: 923 milhões, menos 42 % face a 2024.

Vendas em baixa e menos créditos regulatórios

A pressão sobre os resultados decorre sobretudo da descida nas entregas de automóveis. No trimestre, a Tesla colocou 384 122 veículos nas mãos de clientes, decréscimo de 13,5 % em comparação homóloga. Embora represente melhoria face às 337 000 unidades do primeiro trimestre, o volume não foi suficiente para compensar a redução do preço médio de venda.

Outro fator foi a queda de 50 % na receita proveniente de créditos regulatórios, que somou 439 milhões de dólares. Também o segmento de energia solar e armazenamento apresentou desempenho mais fraco.

Serviços crescem, mas não equilibram contas

A área de serviços — que inclui a rede de Superchargers — avançou 17 % em receita, mas o aumento não bastou para neutralizar o impacto negativo gerado pelas restantes divisões.

Pressões legais podem afetar próximos trimestres

A empresa enfrenta processos que podem elevar custos e afetar a confiança dos consumidores. Na Califórnia, o Departamento de Veículos Motorizados discute a possibilidade de suspender a licença de venda da Tesla por alegada publicidade enganosa sobre os sistemas Autopilot e Full Self-Driving. Paralelamente, um júri na Flórida analisa um processo civil relativo a um acidente fatal de 2019 envolvendo o Autopilot, com potencial aplicação de danos punitivos.

Esses desdobramentos regulatórios somam-se ao desafio de recuperar margens num mercado de elétricos cada vez mais competitivo e sensível a preços.