Thinking Machines Lab capta US$ 2 bilhões e atinge avaliação de US$ 12 bilhões
A Thinking Machines Lab, startup de inteligência artificial fundada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, concluiu nesta segunda-feira (15) uma rodada seed de US$ 2 bilhões, liderada pela Andreessen Horowitz. De acordo com porta-voz da empresa, a captação estabeleceu o valor de mercado da companhia em US$ 12 bilhões.
Além do fundo a16z, participaram do aporte NVIDIA, Accel, ServiceNow, Cisco, AMD e Jane Street. Em junho, veículos especializados já apontavam negociações para levantar o mesmo montante, mas com avaliação próxima de US$ 10 bilhões. O salto de preço em apenas um mês reflete o apetite de investidores por laboratórios de IA considerados promissores.
Trata-se de uma das maiores rodadas seed já registradas no Vale do Silício, especialmente para uma empresa com menos de um ano de existência. A dimensão do investimento indica a confiança do mercado na capacidade de Thinking Machines Lab competir com desenvolvedores de modelos de ponta como OpenAI, Anthropic e Google DeepMind.
Até o momento, a startup não detalhou publicamente seu produto. Contudo, em publicação na rede X na terça-feira (16), Murati afirmou que pretende apresentar o trabalho “nos próximos meses” e que o lançamento incluirá um “importante componente open source”. Segundo ela, a plataforma deverá ser útil a pesquisadores e a startups interessadas em criar modelos de IA personalizados.
A executiva também prometeu divulgar “a melhor ciência” produzida pelo time para auxiliar a comunidade acadêmica a compreender sistemas de fronteira. A declaração não esclarece se o laboratório liberará um modelo de IA aberto, estratégia adotada por alguns concorrentes para rivalizar com o ChatGPT. Questionada, a empresa preferiu não comentar.
A missão declarada pela Thinking Machines Lab é “capacitar a humanidade por meio do avanço da inteligência geral colaborativa”. O grupo diz estar desenvolvendo um sistema multimodal capaz de interagir com linguagem, visão e outras formas de colaboração empregadas no cotidiano.
Desde a fundação, Murati reuniu antigos colegas da OpenAI, entre eles John Schulman, Barret Zoph e Luke Metz. O site corporativo indica que a companhia continua recrutando profissionais com histórico de construção de produtos de IA bem-sucedidos “do zero”.
Nas últimas semanas, circularam informações de que a Meta teria mantido conversas para adquirir a Thinking Machines Lab e reforçar seus esforços em superinteligência. As tratativas não avançaram até uma proposta definitiva, segundo fontes próximas às negociações.
Com bilhões em caixa, a startup já firmou acordo com o Google Cloud para treinar seus modelos, o que lhe garante infraestrutura escalável de computação. Investidores avaliam que o capital obtido pode ser suficiente para financiar experimentos caros de treinamento e acelerar a entrada no mercado.
Ainda assim, o caminho para se equiparar aos líderes do setor é desafiador. Empresas como Google, Meta, Anthropic e a própria OpenAI destinam somas cada vez maiores a pesquisa e desenvolvimento, encurtando o ciclo de adoção de novas técnicas. A vantagem competitiva da Thinking Machines Lab deve vir de avanços científicos inéditos ou de uma estratégia de abertura de código capaz de atrair talentos e parceiros. Nos próximos meses, o primeiro produto anunciado por Murati deverá indicar se a aposta dos investidores se confirma.

