Washington, — A administração Trump apresentou esta quarta-feira o “AI Action Plan”, documento que redefine a estratégia federal para inteligência artificial ao privilegiar crescimento económico e competição com a China em detrimento de salvaguardas regulatórias.
Prioridade à construção de centros de dados
O plano incentiva a expansão de data centers, fábricas de semicondutores e fontes de energia dedicadas à IA, mesmo em terrenos federais. Para acelerar essas obras, propõe exceções categóricas e processos de licenciamento mais rápidos, citando leis ambientais como NEPA, Clean Air Act e Clean Water Act como entraves ao avanço tecnológico.
Com o objetivo de “estabilizar a rede elétrica”, a Casa Branca quer garantir que grandes consumidores de energia, como empresas de IA, mantenham operações durante períodos críticos, enquanto desenvolve mecanismos para gerir a procura.
Deregulamentação em níveis federal e estadual
O documento instrui a Federal Communications Commission a avaliar se regras estaduais sobre IA interferem nas competências federais. Estados que criarem normas consideradas restritivas poderão ver financiamento federal reduzido. Paralelamente, o Office of Science and Technology Policy abrirá consulta pública para identificar regulamentos federais que “dificultem a inovação”.
Foco em “valores americanos” e liberdade de expressão
A estratégia remove referências a desinformação, diversidade e clima dos critérios de avaliação de risco, defendendo que sistemas de IA devem promover a liberdade de expressão. Novas diretrizes de contratação preveem que o governo compre apenas modelos considerados “objetivos e livres de viés ideológico”, embora ainda não existam métricas definidas para aferir essa neutralidade.
Abertura de modelos e apoio a investigadores
Para enfrentar laboratórios chineses, o plano apoia o desenvolvimento de modelos de código aberto “com valores americanos”, proporcionando acesso a clusters de computação caros. Empresas como Meta, AI2 e Hugging Face podem beneficiar da medida, ao lado de investigadores académicos.
Vertente de segurança nacional
O termo “segurança nacional” surge 23 vezes no documento. O Departamento de Comércio avaliará modelos chineses quanto a alinhamento com a propaganda do Partido Comunista, enquanto Departamento de Defesa e comunidade de inteligência deverão adotar IA em operações, reforçar ciberdefesa e garantir acesso preferencial a capacidade de cálculo em emergências.
Também estão previstas competições de “hackathon” para testar vulnerabilidades e programas de investigação em interpretabilidade e controlo de sistemas.
Detalhes operacionais, financiamento específico e cronogramas serão definidos em etapas posteriores, mas a direção é clara: menos barreiras, mais infraestrutura e protagonismo geopolítico na corrida da inteligência artificial.



