WAIC 2023 reúne líderes em Xangai para traçar futuro da inteligência artificial
Representantes de empresas de tecnologia, bancos digitais e institutos de pesquisa encontraram-se em 27 de julho, no topo do Shanghai Tower, para uma mesa-redonda dedicada ao avanço da inteligência artificial. A sessão integrou a programação oficial da World Artificial Intelligence Conference (WAIC) e teve como tema “Intelligent Dialogues, Shared Future”. O encontro foi promovido pelo Gabinete de Assuntos Exteriores do Governo Municipal de Xangai e organizado pelo jornal China Daily, reforçando o interesse da cidade em posicionar-se como centro global de inovação em IA.
Entre os participantes destacaram-se Jeff Shi, presidente da SenseTime para a Ásia-Pacífico; Wang Lei, presidente da Wenge Tech e pesquisador da Academia Chinesa de Ciências; Wang Guanchun, diretor-executivo da Laiye Technology; e Michael Chan, CEO do banco digital emiradense Zand Bank. Os debates foram conduzidos pelos editores estrangeiros da China Daily, Stephanie Ann Stone e Owen Thomas Fishwick, que percorreram a feira da WAIC para observar aplicações práticas da tecnologia em setores como mobilidade e saúde antes de mediá-la.
China reforça estratégia nacional para IA
Na primeira sessão, os executivos analisaram a abordagem estratégica do país para o desenvolvimento de IA, sustentada por políticas públicas de incentivo, colaboração internacional e investimento em pesquisa de algoritmos, governança de dados e formação de talentos. Wang Lei sublinhou que empreendedores chineses contribuem de forma marcante para a democratização da tecnologia, apontando como exemplo o modelo de código aberto DeepSeek. Segundo ele, iniciativas desse género reduzem barreiras técnicas e aceleram a adoção da IA em diversos domínios.
Michael Chan relatou a parceria firmada em 2023 entre o Zand Bank e a Ant Digital Technologies, braço tecnológico do grupo Ant, para criar um modelo de raciocínio financeiro destinado a instituições bancárias. O projeto, segundo Chan, demonstra como soluções desenvolvidas na China podem ganhar escala global, ao diminuir custos de implementação e ampliar o acesso de empresas estrangeiras a ferramentas de inteligência artificial.
O debate também abordou a governança responsável da tecnologia. Os oradores realçaram o papel de Xangai na elaboração de diretrizes éticas que conciliem inovação com proteção de direitos individuais. Para os participantes, o histórico da cidade em regulamentação de fintechs e dados pode oferecer uma “experiência chinesa” útil à elaboração de regras internacionais de IA.
Aplicações práticas já transformam a vida quotidiana
A segunda parte do fórum reuniu exemplos concretos de como a IA começa a impactar a produtividade industrial e o bem-estar da população. Zhu Guangxiang, gestor de produto da assistente de voz Baidu Miaoda, afirmou que a tecnologia “não deve ser um jogo para poucos, mas um carnaval para todos”, defendendo que cada setor tem potencial para remodelar processos, aumentar eficiência e beneficiar consumidores finais.
Jeff Shi partilhou a trajetória de dez anos da SenseTime, destacando projetos de visão computacional para segurança, retalho e cidades inteligentes. Segundo o executivo, a experiência acumulada pela companhia evidencia os desafios de escalar modelos de IA — da necessidade de poder computacional ao treinamento de equipas multidisciplinares —, mas também os ganhos em eficiência que atraem empresas de diferentes portes, dentro e fora da China.

Imagem: PR Newswire via ai-techpark.com
Já Zhu Bin, diretor global de vendas da fabricante de exoesqueletos ULS Robotics, descreveu como o ecossistema de Xangai propicia a transformação de protótipos em produtos. Fundada em 2003, a companhia beneficiou-se de cadeias de fornecimento locais, acesso a dados de uso clínico e disponibilidade de modelos de linguagem de grandes dimensões para desenvolver dispositivos de apoio físico a trabalhadores da indústria e pacientes em reabilitação.
Ecossistema de Xangai impulsiona colaboração internacional
Os intervenientes concordaram que um dos ativos mais valiosos de Xangai é a combinação de talento técnico, infraestrutura de computação e ambiente regulatório que incentiva testes em escala real. Programas municipais oferecem recursos de nuvem, dados anonimizados e incentivos fiscais, permitindo que startups e multinacionais acelerem ciclos de pesquisa e desenvolvimento.
Além disso, a presença de universidades e centros de investigação de renome facilita a formação de profissionais especializados. Segundo Wang Guanchun, da Laiye Technology, o alinhamento entre academia e indústria torna o mercado local particularmente ágil na adoção de novas soluções, situação que atrai investimentos estrangeiros e estimula consórcios internacionais.
O encontro encerrou-se com a promessa de partilha contínua de conhecimento entre as empresas presentes. Para os participantes, a convergência de diferentes geografias em torno de um objetivo comum — utilizar a inteligência artificial para gerar crescimento inclusivo — ajuda a solidificar o papel de Xangai como ponto de ligação entre mercados. A expectativa é que parcerias como a do Zand Bank se multipliquem, garantindo que avanços técnicos feitos na China sejam incorporados globalmente e que experiências externas alimentem novas políticas públicas e modelos de negócio na cidade.
