O criador de conteúdo Paul Lagier desenvolveu um dispositivo que reivindica o título de menor leitor digital do planeta. O aparelho, batizado de Pala One, foi projetado do zero utilizando tecnologia de impressão 3D e componentes eletrônicos de baixo custo. O projeto, que ganhou destaque em transmissões pela Band e no YouTube, foi idealizado para ser um equipamento de leitura extremamente portátil, com dimensões que superam pouco o tamanho do polegar de um adulto.
A motivação de Lagier para a criação do gadget surgiu da necessidade de aproveitar pequenos intervalos de tempo durante o cotidiano, como períodos de espera em transportes coletivos ou filas. O objetivo era oferecer uma alternativa aos jogos de celular e redes sociais, focando em uma experiência de leitura sem distrações. Segundo o desenvolvedor, o custo total estimado para a construção do leitor é de aproximadamente US$ 30, o que equivale a cerca de R$ 150 em conversão direta.
Arquitetura técnica e construção
Para viabilizar o tamanho reduzido, o Pala One utiliza o módulo Heltec Wireless Paper, que combina em uma única placa um microcontrolador ESP32, o circuito de alimentação e uma tela de tecnologia E Ink (papel eletrônico). A escolha desse display é fundamental para a autonomia do dispositivo, que conta com uma bateria de 1.500 mAh capaz de manter o funcionamento por cerca de duas semanas com apenas uma carga.
A carcaça foi desenhada por Lagier para ser impressa em 3D, apresentando um acabamento sem parafusos externos e uma conexão USB-C para o carregamento. Uma solução de engenharia aplicada no projeto foi a criação de um sistema interno de alavancas, permitindo que o usuário acione os botões do módulo, que originalmente ficam posicionados na parte traseira da placa, garantindo assim a espessura reduzida do conjunto. O chassi ainda inclui um suporte para cordão, facilitando o transporte diário.
Software e gerenciamento de arquivos
No aspecto operacional, o desenvolvedor criou um firmware simplificado. O Pala One opera com arquivos no formato TXT, que podem ser convertidos a partir de EPUBs por meio de softwares gratuitos como o Calibre. A transferência de livros é feita sem a necessidade de cabos: ao ativar o modo de upload, o dispositivo gera um ponto de acesso Wi-Fi próprio, permitindo que o usuário envie os arquivos diretamente pelo navegador de um smartphone ou computador.

Imagem: Divulgação
O projeto já se encontra em sua segunda versão, que apresentou melhorias significativas baseadas no retorno da comunidade de usuários. O sistema de fechamento da estrutura foi aprimorado para facilitar a montagem em impressoras 3D domésticas, substituindo o antigo sistema de pinos por uma peça deslizante e parafusos internos. No que diz respeito ao armazenamento, a capacidade útil saltou de 1,5 MB para 5,5 MB, permitindo que o dispositivo comporte entre seis e dez livros de tamanho médio simultaneamente.
Além do aumento de memória, a nova versão do software introduziu suporte a pastas, listas de tarefas, criação de anotações e exportação de marcadores de página. O criador disponibiliza os arquivos de impressão, diagramas elétricos e o guia de montagem em sua plataforma no Ko-fi por um valor de US$ 5, permitindo que outros entusiastas repliquem o projeto de forma autônoma.
Com informações de Mundoconectado



